O Corinthians anunciou no início de abril de 2026 o retorno de Fernando Diniz ao clube, desta vez para assumir o comando técnico da equipe principal. O fato esportivo resgata uma história curiosa dos bastidores do mercado da bola na temporada de 1997, quando o atual treinador desembarcou no time paulista como jogador. Naquela ocasião, ele atuava na posição de atacante e chegou em um cenário onde a diretoria sonhava com outro nome de peso para o setor ofensivo.
De acordo com informações do UOL Esporte, a expectativa real e o foco dos investimentos do clube alvinegro na época giravam em torno da contratação de Paulo Nunes, atacante que defendia as cores do Grêmio — onde havia conquistado a Copa Libertadores de 1995 e o Campeonato Brasileiro de 1996 — e posteriormente se tornaria ídolo do rival Palmeiras.
Como foi a chegada de Diniz ao elenco em 1997?
Naquele ano, o time do Parque São Jorge iniciava a montagem de um grupo recheado de estrelas, impulsionado pelo forte aporte financeiro do Banco Excel, que assumiu a condição de patrocinador principal. A estratégia era dominar o futebol nacional com aquisições de impacto. Fernando Diniz foi integrado ao plantel, mas deparou-se com uma concorrência fortíssima na linha de frente da equipe.
O ex-atacante e atual comandante técnico acabou permanecendo no banco de reservas durante a maior parte daquela temporada estadual e nacional. A titularidade absoluta da linha ofensiva pertencia à badalada e experiente dupla formada por Túlio Maravilha e Mirandinha, fator que limitou as oportunidades de Diniz entre os onze iniciais alvinegros.
Qual era a estratégia financeira para trazer Paulo Nunes?
Enquanto o elenco já treinava com as opções disponíveis, a cúpula corintiana trabalhava intensamente nos bastidores para concretizar o que considerava o grande salto de qualidade do ano. Paulo Nunes, que vivia uma fase espetacular na região Sul do país, era o grande sonho de consumo do projeto montado pelo Banco Excel.
Eduardo Rocha Azevedo, que na época atuava como um dos empresários membros do Grupo de Apoio à Presidência do clube, expôs publicamente as dificuldades encontradas nas tratativas. Em relato veiculado pelo jornal Folha de S.Paulo, o dirigente explicou os obstáculos financeiros impostos pela equipe gaúcha durante as rodadas de negociação.
“Eles (Grêmio) colocaram o preço (primeiro R$ 4 milhões e depois R$ 6 milhões), nós aceitamos pagar e, agora, estão dificultando novamente.”
As conversas diretas, que iniciaram com exigências na casa dos R$ 4 milhões e rapidamente subiram para R$ 6 milhões — valores altíssimos para o futebol brasileiro na época —, acabaram sofrendo reviravoltas até a frustração total do acordo comercial. O time paulistano não conseguiu finalizar a compra dos direitos econômicos do goleador naquele período agitado de contratações.
O que aconteceu na trajetória dos atletas após as negociações?
A carreira dos jogadores seguiu rumos distintos após o encerramento daquela janela de transferências nacional. O mercado futebolístico desenrolou os seguintes cenários:
- Paulo Nunes acabou sendo negociado na metade da temporada, deixando Porto Alegre com destino ao Benfica, da Primeira Divisão de Portugal.
- Posteriormente, o atleta retornou ao futebol brasileiro para construir uma trajetória de títulos pelo Palmeiras, conquistando a Copa Libertadores de 1999 pelo rival.
- Apenas no ano de 2001, o atacante finalmente assinou contrato e vestiu a camisa do Parque São Jorge, em uma passagem de poucos resultados, sem brilho e marcada pela rejeição de parte da torcida.
Mesmo lidando com a frustração do negócio não concluído, o elenco patrocinado pelo Banco Excel conseguiu alcançar a glória máxima no cenário estadual. Com Fernando Diniz figurando como alternativa tática frequente, o grupo sagrou-se campeão do Campeonato Paulista daquele ano de 1997.
A reformulação continuou gerando impactos positivos ao longo dos meses subsequentes. Já sem a presença de Fernando Diniz no elenco, o alvinegro manteve a espinha dorsal forte e faturou o cobiçado troféu do Campeonato Brasileiro na edição de 1998, justificando o alto volume de capital injetado no ano anterior.