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Neuropediatra José Salomão Schwartzman afirma que canabidiol não trata autismo

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Durante sua recente participação no programa Roda Viva, um dos mais tradicionais programas de entrevistas do país transmitido pela TV Cultura, o renomado neuropediatra brasileiro José Salomão Schwartzman trouxe à tona uma discussão necessária sobre a saúde neurológica e tratamentos alternativos. Ele afirmou categoricamente que, sob a ótica da medicina baseada em evidências, o canabidiol não possui indicação para o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A declaração foi motivada pelo crescente uso da substância por famílias que buscam reduzir os sintomas associados ao desenvolvimento atípico de crianças e adolescentes.

De acordo com informações do portal UOL Notícias, o especialista destacou que, embora o derivado da Cannabis sativa apresente resultados positivos em outras patologias, não há dados científicos que sustentem sua eficácia para as características centrais do autismo. No Brasil, a importação e comercialização de produtos à base de canabidiol são regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo autorizadas apenas sob rigorosa prescrição médica para condições específicas. Schwartzman enfatizou que a substância tem sua utilidade reconhecida em campos devidamente mapeados, mas o autismo não é um deles no atual estágio da ciência.

Qual a eficácia real do canabidiol em tratamentos médicos?

O especialista explicou que o canabidiol é uma ferramenta comprovada para o controle de crises em casos de epilepsias refratárias, como as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut. Nestas condições, o uso do composto pode reduzir drasticamente a frequência de episódios convulsivos, melhorando a qualidade de vida do paciente de forma mensurável. No entanto, Schwartzman ressaltou que o sucesso obtido na epilepsia não se traduz automaticamente para o TEA.

Segundo o médico, as manifestações fundamentais do espectro autista, como os desafios na comunicação social e os padrões de comportamento repetitivos, não apresentam melhora cientificamente validada por meio do uso de canabinoides. Ele reforçou a posição oficial de que:

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“Não há indicação de canabidiol para o tratamento do autismo”

Por que existe uma busca crescente pelo CBD para o autismo?

Um dos pontos centrais abordados pelo neuropediatra é a confusão gerada pela frequente comorbidade entre autismo e epilepsia. É comum que indivíduos diagnosticados com TEA também apresentem quadros convulsivos. Quando o canabidiol trata a epilepsia de um paciente autista, a melhora no estado geral de saúde pode ser interpretada erroneamente pelos cuidadores como um tratamento direto para o autismo, o que carece de fundamento clínico.

Além disso, o especialista criticou a pressão comercial e o marketing agressivo que cercam os produtos derivados da cannabis. Ele observou que a vulnerabilidade de famílias que buscam soluções para o desenvolvimento de seus filhos pode ser explorada por promessas sem base científica sólida, gerando expectativas irreais e custos financeiros elevados que muitas vezes não trazem o retorno prometido.

Quais são as recomendações para as famílias de autistas?

A orientação fundamental oferecida durante o debate é a manutenção da cautela e a busca por intervenções consagradas. Schwartzman defende que o foco terapêutico para o autismo deve permanecer em terapias comportamentais e educacionais, que possuem décadas de estudos comprovando sua eficácia no desenvolvimento de habilidades e na autonomia dos pacientes.

O médico também apontou pontos essenciais para o futuro da discussão:

  • Necessidade de mais pesquisas clínicas controladas e isentas de conflitos de interesse;
  • A importância de não substituir tratamentos comportamentais por soluções medicamentosas experimentais;
  • A indicação do canabidiol deve ser individualizada por especialistas para tratar sintomas específicos de doenças crônicas comprovadas.

Por fim, a entrevista no programa Roda Viva serviu como um alerta sobre a necessidade de educação contínua da população. A integridade científica deve estar acima de tendências momentâneas para garantir a segurança e o bem-estar de todos os pacientes neurológicos no Brasil.

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