O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, declarou na noite de segunda-feira (6 de abril de 2026) que o cargo de magistrado exige elevado grau de prudência e imparcialidade. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a manifestação aconteceu durante uma cerimônia na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na qual o integrante da suprema corte foi homenageado. Em seu discurso, ele enfatizou que não é aceitável que magistrados privilegiem amigos no exercício de suas funções.
A fala do ministro ocorre em um momento de debates internos sobre a postura dos membros da corte. Embora não tenha mencionado nomes específicos, o tom adotado por Mendonça alinha-se às recentes defesas do presidente da instituição, Edson Fachin, sobre a formulação de um código de conduta voltado para os ministros. O magistrado recebeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a mais alta distinção concedida pela casa legislativa paulista a figuras públicas que contribuem para o desenvolvimento do estado.
O que motivou a declaração sobre o comportamento dos magistrados?
Em sua explanação perante as autoridades estaduais, o homenageado explicou que atitudes pontuais podem gerar interpretações negativas por parte da população. O ministro reforçou a necessidade de preservar a imagem do Judiciário diante da opinião pública, adotando uma postura extremamente cautelosa.
“Uma presença num determinado momento com uma determinada pessoa pode gerar uma incompreensão na sociedade. Não estamos imunes a incompreensões, mas precisamos estar imunes a ações que comprometam de forma substancial, voluntária e consciente a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado. Isso exige de nós um recatamento, no bom sentido da expressão”, afirmou o membro da mais alta corte do país.
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O pano de fundo das discussões éticas envolve o caso do Banco Master, do qual Mendonça é o atual relator. Dois de seus pares no tribunal, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, enfrentam questionamentos públicos devido a conexões indiretas com o empresário Daniel Vorcaro. Entre os pontos levantados pela imprensa estão viagens em aeronaves de empresas de Vorcaro, além de prestações de serviços por parte do escritório da esposa de Moraes ao banco, e a participação de Toffoli em um fundo ligado ao operador do empresário. Toffoli, inclusive, era o relator original da investigação até o mês de fevereiro.
Como os políticos presentes reagiram ao discurso do ministro?
O evento reuniu diversas lideranças do cenário político paulista e nacional. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), aproveitaram a ocasião para elogiar o trabalho do magistrado, enviando mensagens indiretas sobre o atual contexto do Judiciário brasileiro.
Tarcísio de Freitas destacou que o ministro atua dentro dos estritos limites da lei e com firmeza, produzindo segurança jurídica. Já Ricardo Nunes pontuou que os processos complexos do país estão sob responsabilidade de alguém que garante justiça sem perseguições, em uma referência velada às acusações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes.
A solenidade contou com a presença de figuras públicas de diferentes espectros partidários. Os principais presentes foram:
- Políticos alinhados à direita, como a deputada federal Rosana Valle e os deputados estaduais Lucas Bove, Gil Diniz e Tomé Abduch.
- O presidente nacional do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, que compareceu rapidamente para os cumprimentos formais.
- O deputado estadual Emídio de Souza (PT), figura próxima ao governo federal e coordenador do plano de governo petista no estado de São Paulo.
Qual foi o recado de Mendonça ao novo indicado para a corte?
Outro momento de destaque na solenidade foi a manifestação de apoio a Jorge Messias, atual advogado-geral da União, que estava presente no plenário. Indicado na semana passada para compor o Supremo Tribunal Federal, Messias tem recebido articulação favorável nos bastidores por parte do homenageado da noite para que seu nome seja aprovado pelo Senado Federal.
“Nossas carreiras na AGU foram grandes divisores de águas para as nossas correspondentes trajetórias e faço votos para que em breve deixe a AGU para estar comigo no Supremo Tribunal Federal”, declarou o ministro ao colega.
Para finalizar o discurso, o magistrado reiterou o seu compromisso público de integridade perante os parlamentares. Ele definiu que a imparcialidade exige olhar para os cidadãos de forma igualitária, pesando os interesses de modo justo, sem favorecimentos a aliados e sem realizar perseguições a oponentes.



