
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou, neste início de abril de 2026, movimentos para converter uma sátira digital em um pilar de sua comunicação política para o pleito deste ano. De acordo com informações do UOL Notícias publicadas neste domingo (5), o parlamentar está testando a viabilidade do slogan “meu amigo Flávio”, expressão que viralizou originalmente como uma peça de humor crítico elaborada pelo comediante Murilo Couto. A estratégia consiste em desarmar a piada, transformando o escárnio em uma marca de proximidade e carisma junto à base aliada.
A gênese do termo remete a postagens de Murilo Couto — humorista paraense com histórico de atuação em programas noturnos de televisão —, que utilizou montagens e ironia para se referir ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entretanto, a recepção do conteúdo nas redes sociais seguiu um caminho imprevisto: o público de direita absorveu a frase de forma positiva, gerando uma onda de engajamento que chamou a atenção dos estrategistas de marketing do Partido Liberal (PL). O fenômeno é visto como uma oportunidade de capitalizar sobre um conteúdo que já possui alcance orgânico e reconhecimento imediato por parte dos internautas.
Como surgiu a expressão utilizada pelo senador?
O termo surgiu de forma acidental no campo da oposição ao bolsonarismo. O humorista Murilo Couto, conhecido por seu estilo ácido no stand-up comedy e que não possui alinhamento político com o clã Bolsonaro, espalhou a frase como parte de um quadro de comédia que ironizava a figura do senador fluminense. A ideia era criar um distanciamento cômico, mas a repetição exaustiva da frase nas plataformas digitais acabou por humanizar a imagem de Flávio Bolsonaro para seus seguidores, que passaram a utilizar a expressão de forma carinhosa e legítima.
Especialistas em marketing político observam que essa tática de “reapropriação de narrativa” é comum em campanhas modernas. Ao adotar um apelido ou slogan criado originalmente para atacar, o candidato demonstra resiliência e capacidade de rir de si mesmo, o que costuma gerar empatia com o eleitor médio. No caso de Flávio, a frase “meu amigo Flávio” preenche uma lacuna de identidade visual e verbal que a pré-campanha buscava para consolidar sua imagem como um articulador acessível.
Qual é o objetivo estratégico do PL para 2026?
O PL, partido presidido por Valdemar Costa Neto, planejou utilizar os anos de 2024 e 2025 para consolidar as lideranças que encabeçarão a chapa presidencial e as candidaturas majoritárias nos estados. A inclusão de elementos da cultura de internet, como memes e slogans virais, é considerada essencial para atingir o público jovem e manter a hegemonia no debate digital. A equipe de comunicação do senador avalia os seguintes pontos sobre o novo mote:
- Nível de aceitação entre eleitores indecisos e de centro;
- Capacidade de neutralizar críticas da oposição por meio do humor;
- Facilidade de aplicação em materiais de campanha e redes sociais;
- Ressonância da marca com os valores de família e amizade defendidos pelo partido.
O humorista Murilo Couto apoia a iniciativa?
Não há qualquer indício de colaboração ou apoio por parte do comediante. Pelo contrário, a criação foi involuntária e com fins puramente artísticos e críticos. O cenário ilustra como, na era da hiperconectividade, o controle sobre a narrativa de uma marca pessoal não pertence exclusivamente ao seu criador original. O senador Flávio Bolsonaro, ao perceber que a piada não o prejudicava, optou por abraçar a alcunha, sinalizando que a comunicação política de 2026 será fortemente pautada pelo que acontece nas bolhas de entretenimento e redes sociais.
Até o momento, o parlamentar tem mantido o uso da expressão em tons informais em suas interações digitais, aguardando pesquisas de opinião mais detalhadas para decidir se o slogan será oficialmente registrado na Justiça Eleitoral. A decisão final passará pelo crivo da Executiva Nacional do PL, que monitora atentamente o desempenho de todos os potenciais nomes para a sucessão presidencial.


