
A tripulação da missão Artemis 2 se prepara para um momento histórico na segunda-feira (6 de abril de 2026), quando realizará o aguardado sobrevoo da Lua. O programa espacial, do qual o Brasil faz parte desde 2021 por meio dos Acordos Artemis assinados pela Agência Espacial Brasileira (AEB), marca um novo passo na exploração lunar. A bordo da cápsula Orion, os quatro astronautas terão uma janela de seis horas para analisar a superfície lunar, presenciar um eclipse solar e enfrentar um apagão de comunicações de 40 minutos com a Terra.
De acordo com informações do UOL Notícias, a jornada espacial teve início na última quarta-feira (1º de abril), com o lançamento do foguete SLS a partir do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos. O quarteto de viajantes é composto pelos americanos Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e pelo canadense Jeremy Hansen.
Como será o momento de aproximação máxima da espaçonave?
Na quinta-feira (2 de abril), a espaçonave rompeu a órbita da Terra e iniciou a trajetória direta em direção ao satélite natural. Durante o último final de semana, a Nasa confirmou que o grupo já havia ultrapassado a metade do caminho. A especialista Christina Koch, que marca a história como a primeira mulher a integrar uma jornada lunar, descreveu a emoção da equipe:
“Todos nós tivemos uma expressão de alegria naquele momento… Podemos ver a Lua pela escotilha de acoplamento agora. É uma visão linda.”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Diferente das missões do programa Apollo, que passaram a apenas 112 quilômetros da superfície lunar, o plano de voo atual prevê que a nave passe a cerca de 6.500 quilômetros do solo no momento de maior aproximação. Essa altitude estratégica permitirá que a equipe contemple o disco inteiro do satélite, observando de polo a polo.
Quais são os objetivos científicos durante o sobrevoo lunar?
O período estimado de seis horas de observação não será apenas para contemplação. A equipe recebeu um treinamento rigoroso para cumprir uma série de tarefas de coleta de dados visuais essenciais para subsidiar futuras pesquisas de solo. As principais atividades incluem:
- Fotografar e descrever formações geológicas específicas, como a bacia Oriental;
- Identificar antigos fluxos de lava e padrões de crateras;
- Reconhecer pelo menos cinco das 15 formações estudadas durante o treinamento na Terra;
- Analisar a coroa do Sol durante a ocorrência do eclipse solar.
Kelsey Young, líder da diretoria de missões científicas da agência espacial americana, detalhou a importância desta etapa operacional: “Ao observarem os mesmos alvos mais de uma vez durante o sobrevoo, eles poderão fazer observações sobre o mesmo alvo em diferentes condições de iluminação que levariam dias, meses, semanas ou anos para algumas espaçonaves acumularem”, explicou a cientista, ressaltando que isso ajudará a responder questões prioritárias sobre a superfície lunar.
Por que haverá um corte na comunicação com a Terra?
Um dos momentos de maior tensão e expectativa ocorrerá quando a cápsula transitar pelo lado oculto da Lua. Neste momento, ocorrerá um bloqueio natural dos sinais de rádio, resultando em um apagão de comunicação de exatos 40 minutos. Os engenheiros destacam que este procedimento é esperado e replica o comportamento já registrado durante os voos de teste não tripulados da missão antecessora, realizados no final do ano de 2022.
Durante a passagem por este lado mais distante, os viajantes terão a chance de observar cerca de 20% dessa face oculta, incluindo regiões que jamais foram vistas por olhos humanos. Nas missões anteriores, o lado afastado não estava iluminado durante a travessia, impossibilitando registros fotográficos de alta definição por parte das tripulações da época.
Quais recordes a tripulação pretende quebrar nesta jornada?
Quando a missão chegar à sua fase de distanciamento máximo, um novo marco histórico para a humanidade deverá ser estabelecido. O grupo atingirá a maior distância já registrada por seres humanos em relação ao nosso planeta, chegando a impressionantes 406 mil quilômetros da Terra.
Esse número supera em cerca de seis mil quilômetros o antigo recorde, que pertencia aos tripulantes da fatídica Apollo 13, estabelecido em abril do ano de 1970. Além disso, no final do sobrevoo, um alinhamento perfeito entre a nave, a Lua e o Sol proporcionará um eclipse solar com duração de uma hora, encerrando a fase de aproximação antes da manobra de retorno em direção ao planeta azul.