O Governo do Acre intensificou, neste sábado (4 de abril de 2026), as operações de assistência e socorro às famílias impactadas pela cheia do Rio Juruá, um dos principais cursos d’água da Amazônia Ocidental. O nível das águas atingiu a marca de 14,15 metros, provocando inundações que afetam diretamente 33 bairros e prejudicam a rotina de mais de 28 mil pessoas na região de Cruzeiro do Sul, o segundo município mais populoso do estado. Até o momento, o balanço oficial registra 50 famílias desabrigadas, totalizando 233 pessoas que precisaram ser acolhidas em estruturas públicas de emergência.
De acordo com informações da Agência de Notícias do Acre, o estado coordena uma mobilização integrada que reúne diversas frentes de atuação para mitigar os danos causados pelo transbordamento. A força-tarefa é composta por membros do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Militar, da Defesa Civil e do Exército Brasileiro, além do suporte das equipes da prefeitura local.
Como está a situação do nível do Rio Juruá?
A situação hidrológica na região é monitorada de forma ininterrupta pelo Centro de Operações. Embora o Rio Juruá tenha alcançado níveis críticos, existe uma perspectiva técnica de redução da cota nas próximas 48 horas. Essa previsão é baseada nos sinais de vazante observados em municípios vizinhos, o que pode aliviar a pressão sobre as áreas inundadas no curto prazo.
Entretanto, o monitoramento das áreas atingidas permanece rigoroso. O tenente do Corpo de Bombeiros, Alisson Rogério, explicou que a operação de resgate e prevenção já entrou em seu quarto dia consecutivo de atividades intensas. As equipes militares utilizam todas as embarcações disponíveis para navegar pelas ruas transformadas em canais, garantindo que nenhum morador fique isolado em zonas de perigo iminente.
Quais instituições participam da força-tarefa no Acre?
A resposta ao desastre natural envolve uma coordenação logística complexa entre diferentes esferas do poder público e forças de segurança. A operação conta com os seguintes apoios principais:
- Corpo de Bombeiros Militar: Atua com mais de 20 militares em campo e cinco equipes especializadas em salvamento aquático;
- Defesa Civil: Responsável pelo monitoramento técnico e execução do plano de contingência municipal;
- Exército Brasileiro: Fornece suporte logístico e braço operacional no transporte de famílias e insumos;
- Polícia Militar: Garante a segurança das áreas evacuadas e das unidades de acolhimento;
- Secretarias Estaduais e Municipais: Gestão dos abrigos e fornecimento de alimentação e itens de higiene.
Como funciona o acolhimento das famílias desabrigadas?
Para oferecer dignidade e segurança aos desalojados, o governo estadual adaptou sete escolas da rede pública para funcionarem como abrigos temporários. Essas unidades foram equipadas para receber as famílias que perderam o acesso às suas residências ou que vivem em locais onde o risco de desabamento ou contaminação pela água é elevado.
Uma das assistidas pela operação é Thalita do Nascimento, mãe de três filhos, que precisou abandonar seu imóvel diante do avanço rápido da enchente. Ela relatou o momento da saída e o suporte recebido pelos órgãos estaduais:
“Foi uma decisão difícil, mas necessária. Agradeço pelo apoio que recebemos.”
Qual é o posicionamento das autoridades sobre a cheia?
O coordenador da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Damasceno Júnior, ressaltou que a magnitude da cheia neste período do ano não era esperada, uma vez que o mês de abril costuma apresentar níveis mais baixos de precipitação e elevação fluvial. Ele afirmou:
“Dificilmente atingimos essa cota em abril. Apesar disso, o município já possuía plano de contingência e estamos atuando de forma mais robusta para garantir o atendimento à população.”
A governadora Mailza Assis (PP) também se manifestou sobre a prioridade da gestão em proteger a vida dos cidadãos acreanos. Segundo a chefe do Executivo, o Estado não medirá esforços para manter a assistência necessária até que a situação seja normalizada e as famílias possam retornar com segurança aos seus lares.
“Estamos atuando de forma integrada para garantir a segurança e o acolhimento das pessoas afetadas pela cheia. Todas as nossas equipes estão mobilizadas para prestar assistência, com dignidade e agilidade, a quem mais precisa neste momento.”
As equipes de socorro permanecem de prontidão para ampliar o atendimento caso novas chuvas ocorram nas cabeceiras do Rio Juruá. O monitoramento contínuo é a principal ferramenta para antecipar novos riscos e garantir a evacuação preventiva em bairros que ainda correm risco de alagamento.


