
Em 2025, observadores e cientistas redescobriram cinco espécies de aves que não eram documentadas na natureza há pelo menos uma década. Os avistamentos dos animais ocorreram em ilhas do Sudeste Asiático e da Oceania, trazendo um novo fôlego para a preservação ambiental global. Esse tipo de iniciativa serve de modelo para países de megabiodiversidade como o Brasil, que também lida com o desafio de monitorar espécies criticamente ameaçadas, a exemplo da ararinha-azul. De acordo com informações da Mongabay Global, os achados fazem parte da atualização anual da Lista de Aves Perdidas, um inventário focado em animais sem registros fotográficos, sonoros ou genéticos há muito tempo.
O projeto que monitora esses animais, conhecido como Search for Lost Birds, é uma parceria global entre as organizações não governamentais American Bird Conservancy, Re:wild e BirdLife International. Com as recentes atualizações, o número total de aves desaparecidas caiu para 120, uma redução significativa em relação às 163 catalogadas quando o estudo começou, no ano de 2022. Além das cinco descobertas asiáticas, um pássaro que estava sumido há 94 anos foi registrado na região do Chade, na África.
Por que a Lista de Aves Perdidas é tão importante para a ciência?
Diferentemente de outros levantamentos tradicionais, esta lista atua antes que a situação se torne irreversível. Segundo o diretor do projeto, John Mittermeier, a iniciativa funciona como um sistema de alerta precoce. Ele explica que o catálogo ajuda a preencher lacunas de dados de conservação antes que avaliações rigorosas sejam concluídas.
“O sistema ajuda a preencher lacunas de dados de conservação antes que avaliações rigorosas sejam concluídas e estimulem ações para proteger espécies que poderiam potencialmente passar despercebidas”, afirmou Mittermeier.
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Quais foram as cinco espécies de aves reencontradas em 2025?
Os cientistas e entusiastas confirmaram a existência de cinco aves endêmicas durante o ano de 2025. As redescobertas ocorreram da seguinte forma:
- Na Papua-Nova Guiné, o martim-pescador-de-bismarck foi fotografado após 13 anos sem qualquer registro oficial.
- Na província de Papua, Indonésia, o melífago-de-biak teve sua presença documentada pela primeira vez em duas décadas.
- Ainda na Indonésia, o saíra-de-bico-largo foi fotografado e teve seu canto gravado após 11 anos desaparecido.
- Nas Filipinas, a lagarteira-de-sulu foi registrada em imagens após 18 anos de ausência.
- Também nas Filipinas, o papa-moscas-de-peito-ruivo foi fotografado na Ilha de Luzon, sendo visto pela última vez no ano de 2008.
Como o avanço tecnológico muda o status das aves ameaçadas?
Apesar das boas notícias, algumas aves nunca são recuperadas. Em 2025, os pesquisadores declararam o maçarico-de-bico-fino oficialmente extinto. A perda ocorreu devido à expansão de terras agrícolas, degradação de pântanos e caça persistente. O último avistamento confirmado dessa espécie ocorreu em 1995.
Por outro lado, análises genéticas avançadas promovem reclassificações. O barbudinho-de-peito-branco, conhecido na Zâmbia por um único espécime coletado em 1964, foi reclassificado como uma subespécie de outra ave local.
“Enquanto a extinção é trágica, saber que um pássaro se foi concentra recursos, garantindo que não estamos colocando esforço em procurar algo que não está lá e não existe”, ressaltou o diretor do projeto.
Quais são as ameaças futuras e as novas adições à lista?
Para o ano de 2026, seis novas espécies entrarão na lista de aves perdidas. Todas são nativas de ilhas e não são vistas há pelo menos dez anos. Entre elas estão a pomba-apunhalada-de-mindoro e a pomba-imperial-de-mindoro, ambas das Filipinas. O declínio drástico das populações de pássaros em todo o mundo é impulsionado por uma combinação letal de fatores.
A perda de habitat continua sendo a maior ameaça, agravada pela caça, agricultura expansiva, mudanças climáticas, calor extremo e gripe aviária. As aves endêmicas de ilhas sofrem ainda mais, pois seus espaços já são limitados e frequentemente invadidos por espécies exóticas ou tempestades perigosas.
“Sabemos que as ilhas estão na linha de frente da extinção e, portanto, ter aves perdidas em pequenas ilhas é um pouco preocupante para mim”, concluiu Mittermeier, que ainda mantém a esperança de zerar a lista de aves desaparecidas com a ajuda da comunidade global.