
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli utilizou uma aeronave ligada a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para uma viagem particular em 4 de julho de 2025. O voo partiu do terminal executivo de Brasília com destino a Marília, no interior de São Paulo, cidade natal do magistrado. De acordo com informações do portal UOL, os registros foram cruzados a partir de bases de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão subordinado à Força Aérea Brasileira (FAB).
No dia do voo, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-2) foram deslocados a pedido do STF para o município de Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro do Paraná, distante cerca de 150 quilômetros de Marília. A cidade paranaense abriga o resort Tayayá, localizado às margens da represa de Chavantes, local frequentemente visitado pelo ministro e onde ele manteve sociedade até o ano anterior com Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
Qual é a relação entre o ministro do STF e o Banco Master?
A utilização da aeronave de prefixo PR-SAD, pertencente à Prime Aviation, ocorre em meio a um histórico de conexões financeiras. No início de 2026, revelou-se que empresas da família de Toffoli integraram uma sociedade em uma rede de fundos de investimentos operada pelo Banco Master. Essa ligação societária motivou a saída do ministro da relatoria de uma investigação sobre a instituição financeira na Suprema Corte, em fevereiro de 2025.
A Prime Aviation atua no mercado de compartilhamento de ativos de luxo. Até setembro do ano passado, Daniel Vorcaro constava como um dos sócios diretos da companhia. Em nota oficial sobre o caso, a empresa justificou a ausência de detalhamentos sobre a lista de passageiros que utilizam as aeronaves:
“Por questões de confidencialidade dos contratos, e em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), [a empresa] não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio, sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo.”
Como os dados de voos expõem a rotina de viagens executivas?
Os documentos oficiais registraram dez entradas de Toffoli no terminal executivo do aeroporto de Brasília ao longo de 2025. O cruzamento de horários de chegada com decolagens exclusivas permitiu vincular a presença do magistrado a seis voos específicos, sendo cinco em aeronaves de empresários. Entre os registros, destacam-se os seguintes trajetos:
- Um voo em 17 de junho para Ourinhos (SP), em avião da Petras Participações, empresa de Paulo Humberto Barbosa, atual dono do Tayayá.
- Uma viagem de retorno para São Paulo em 1º de outubro, na mesma aeronave da Petras Participações.
- Um deslocamento em 10 de abril no jato de Luiz Pastore, empresário e amigo pessoal do ministro, com destino ao aeroporto de Congonhas.
As viagens em aeronaves corporativas privadas não se restringem a Toffoli. Os mesmos dados indicam que o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, que atua como advogada e tem o Banco Master entre seus clientes, também utilizaram a estrutura do hangar executivo da capital federal. Em sete ocasiões, o casal registrou entrada em horários compatíveis com decolagens de jatos da Prime Aviation ou de aeronaves registradas em nome de Fabiano Zettel.


