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Nova levedura para usinas de milho eleva produção de etanol em 10 milhões de litros

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Industrial grain silos in Paragominas, Brazil under a clear blue sky.
Industrial grain silos in Paragominas, Brazil under a clear blue sky. Foto: MELQUIZEDEQUE ALMEIDA — Pexels License (livre para uso)

Pesquisadores da Lallemand Biofuels & Distilled Spirits (LBDS), divisão de uma multinacional focada em biotecnologia com operações nos Estados Unidos, desenvolveram recentemente uma nova geração de leveduras capaz de alterar significativamente a dinâmica de produção da indústria de biocombustíveis. A inovação tecnológica reduz o tempo de fermentação nas usinas de milho, passando de 55 para 45 horas, o que representa uma diminuição de 18% no ciclo padrão industrial.

De acordo com informações do Petronotícias, a adoção dessa tecnologia no Brasil, impulsionada pelo forte crescimento da produção de etanol de milho na região Centro-Oeste, já apresenta resultados operacionais expressivos até o início de 2026. As usinas brasileiras que implementaram a novidade registraram um aumento médio de 16% no número de moagens, permitindo o processamento de cerca de 50 mil toneladas adicionais de milho a cada ano.

Como a nova levedura impacta a produção nas usinas?

O avanço biotecnológico reflete diretamente na produtividade diária do setor. Com a conclusão mais rápida do processo de fermentação, os tanques industriais ficam disponíveis antecipadamente para novas safras. Essa quebra do ciclo padrão ataca o gargalo operacional e viabiliza até quatro moagens extras por mês, resultando em um ganho de produtividade que chega a 9%.

Para uma planta industrial com capacidade referencial de moagem de mil toneladas por dia, esse incremento produtivo gera um volume adicional de 10 milhões de litros de etanol anualmente. O aumento operacional ocorre sem a necessidade de novos investimentos em infraestrutura pesada, conhecidos como Capex, ou gastos adicionais com manutenção de trocadores de calor, bombas, limpeza e riscos operacionais, o chamado Opex.

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Quais são os ganhos financeiros e de insumos?

A aplicação da nova geração de leveduras proporciona uma elevação substancial na receita das empresas de bioenergia. Os dados indicam que a velocidade otimizada de fermentação pode adicionar R$ 30 milhões anuais ao faturamento de uma unidade produtora. Esse valor equivale a aproximadamente R$ 85 por tonelada de matéria-prima processada comercialmente.

Além do ganho direto em volume fabricado, a tecnologia reduz drasticamente os custos operacionais com insumos externos. A levedura desenvolvida já produz naturalmente a glucoamilase, uma enzima que tradicionalmente precisava ser inserida artificialmente durante o processo nas fábricas. A integração diminui em até 89% a necessidade de aplicação externa, marcando um recorde no segmento.

Somando os múltiplos benefícios, o impacto financeiro total consolida o avanço tecnológico:

  • Aumento de receita com o volume de etanol extra gerado: R$ 30 milhões por ano.
  • Economia direta com a redução na compra e aplicação de enzimas: R$ 4,2 milhões anuais.
  • Potencial de ganho total acumulado para a usina: pouco mais de R$ 34 milhões por ano.

Como a tecnologia reage ao estresse térmico industrial?

O pacote biológico elaborado pelos pesquisadores possui propriedades secundárias mantidas em rigoroso segredo industrial. Essas características enzimáticas permitem quebrar mais cadeias de amido, reduzindo o chamado Açúcar Residual Total (ART) — a porção de açúcar que falha em ser convertida em combustível inflamável.

Além disso, o microrganismo apresenta uma resistência superior a fatores que comumente prejudicam a rentabilidade operacional. Durante picos de temperatura que atingem 37ºC em ambiente severo, a levedura mantém o metabolismo plenamente ativo. O estresse térmico não cessa a fermentação e ainda consegue diminuir em 14% a produção de glicerol, o que direciona a energia química de forma mais eficiente para a geração de etanol. A nova cepa também apresenta maior tolerância a ácidos orgânicos provenientes de contaminações e ao excesso de sólidos.

A vice-presidente da LBDS na América do Sul, Fernanda Firmino, destacou o foco estratégico da companhia no mercado nacional de transição energética.

“Estamos realizando investimentos contínuos em tecnologia para otimizar nossos processos e elevar os patamares de produtividade. Nosso objetivo é claro: acompanhar o ritmo acelerado de crescimento do mercado de etanol de milho no Brasil, entregando eficiência operacional e sustentabilidade em cada etapa da produção.”

A inovação reforça o papel do Brasil, atual segundo maior produtor global de etanol, no mercado de fontes de energia renovável, permitindo que o setor agroindustrial extraia o máximo rendimento de suas instalações sem ampliar o impacto estrutural.

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