Cesta de Páscoa registra queda de 5,73%, enquanto preço do chocolate sobe - Brasileira.News
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Cesta de Páscoa registra queda de 5,73%, enquanto preço do chocolate sobe

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A supermarket aisle filled with various canned goods on shelves, showcasing retail diversity.
A supermarket aisle filled with various canned goods on shelves, showcasing retail diversity. Foto: ha ha — Pexels License (livre para uso)

A tradicional cesta de produtos alimentícios consumida durante a Páscoa registrou uma redução de 5,73% nos preços ao longo dos últimos 12 meses no Brasil. O recuo no valor médio dos itens, que inclui desde pescados até azeites, foi impulsionado principalmente pela queda no preço de alimentos in natura e itens agrícolas. De acordo com informações da Agência Brasil, a constatação faz parte de um levantamento oficial realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), centro de pesquisa vinculado à Fundação Getulio Vargas (FGV) e referência nacional no monitoramento de inflação, divulgado às vésperas do feriado de 2026.

Para efeito de comparação, a inflação geral do consumidor brasileiro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Mensal (IPC-10) da FGV, marcou uma alta de 3,18% no período compreendido entre abril de 2025 e março de 2026. Este é o segundo ano consecutivo em que a mesa de Páscoa pesa menos no bolso do cidadão, visto que, no ano de 2025, o recuo verificado nos preços havia sido de 6,77%.

Por que o preço dos chocolates e bombons continua subindo?

Apesar da deflação média da cesta, o consumidor que busca itens achocolatados enfrentará um cenário diferente. Olhando de forma isolada, os bombons e chocolates registraram um salto expressivo de 16,71%, superando largamente a inflação geral do país. O economista Matheus Dias, pesquisador do Ibre/FGV, esclarece que os repasses de quedas provenientes de melhoras na produção agrícola são mais complexos e apresentam defasagens mais longas em produtos industrializados.

O especialista exemplifica a situação com a própria cadeia do cacau. Mesmo com a principal matéria-prima registrando quedas no mercado internacional desde outubro de 2025 — chegando a recuar cerca de 60% em relação aos últimos 12 meses —, os preços nas prateleiras seguiram uma trajetória de alta constante.

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“Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor nos últimos anos”, pontua Dias.

Outro fator que ajuda a explicar a alta consistente nos preços é a dinâmica do setor alimentício. Segundo um estudo sobre a inflação de alimentos no Brasil, divulgado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o mercado sofre com uma forte concentração. O levantamento aponta que apenas cinco marcas de bombons e chocolates, pertencentes a três grandes empresas, dominam 83% de todo o mercado nacional, o que tende a diminuir a concorrência e engessar os preços.

Quais produtos puxaram a queda e a alta da cesta de Páscoa?

A redução de 5,73% no valor total da cesta só foi possível graças ao barateamento significativo de itens essenciais. Entre os produtos que ajudaram a inflação da Páscoa a ficar negativa, destacam-se alimentos que integram o prato principal das famílias durante a celebração religiosa e os feriados prolongados. Os principais destaques de baixa foram:

  • Arroz: queda de 26,11%
  • Azeite: queda de 23,20%
  • Batata inglesa: queda de 16,02%
  • Cebola: queda de 15,44%
  • Ovos de galinha: queda de 14,56%

Por outro lado, as proteínas tradicionais da data acompanharam a elevação do chocolate. O bacalhau subiu 9,9%, seguido pela sardinha em conserva, com alta de 8,84%, e pelo atum, que subiu 6,41%. Os pescados frescos tiveram um reajuste de 1,74%, enquanto os vinhos ficaram 0,73% mais caros em relação ao ano anterior.

Como a indústria explica o reajuste contínuo nas prateleiras?

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) argumentou que o valor final do produto não é determinado exclusivamente pela cotação do cacau. A entidade ressalta que outros insumos, como leite, açúcar, o uso de caminhões frigoríficos para o frete de cargas perecíveis e a variação da moeda norte-americana devem ser levados em consideração na formação dos custos para o varejo.

Os representantes do setor detalharam os impactos climáticos recentes que prejudicaram o segmento. Em 2024, o fenômeno El Niño devastou plantações de países como Gana e Costa do Marfim, nações africanas responsáveis por 60% da produção mundial de cacau. No Brasil, onde o cultivo se concentra majoritariamente na Bahia e no Pará, os produtores locais também têm seus negócios diretamente orientados pelo valor internacional. Naquela ocasião, o mercado global enfrentou um déficit de 700 mil toneladas, elevando o preço da tonelada na Bolsa de Nova York para US$ 11 mil — equivalente a cerca de R$ 56,7 mil. Hoje, a cotação beira os US$ 3,3 mil. A associação garante que apenas dez por cento do forte impacto anterior foi refletido no preço final aos clientes.

Apesar do encarecimento dos itens doces, as perspectivas de vendas da indústria seguem em patamares bastante elevados. Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Locomotiva apontou que 90% dos consumidores tencionam comprar produtos sazonais neste ano. Para atender à forte demanda, a indústria disponibilizou 800 itens no mercado, incluindo 134 lançamentos, e projeta a criação de mais de 14 mil empregos temporários, aproveitando a estabilidade e a menor taxa histórica de desemprego na economia brasileira.

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