Uma colossal escultura de São Jorge, com 25 metros de altura e mais de uma tonelada de aço, começou a ser instalada no estacionamento da Neo Química Arena, na zona leste de São Paulo. A obra de arte finalmente chega ao estádio do Corinthians após um hiato de 12 anos desde a sua recusa inicial, ocorrida durante os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil.
De acordo com informações do UOL Notícias, a estrutura metálica permaneceu por mais de uma década às margens da rodovia Hélio Smidt, principal via de acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. No último dia 26 de março de 2026, a estátua foi transferida e começou a ser remontada no setor E5 do estacionamento do complexo esportivo em Itaquera, bem próxima à entrada principal.
Por que a escultura foi rejeitada inicialmente pelo Corinthians?
A criação, intitulada “Cavaleiro Fiel”, foi forjada no ateliê do artista plástico Gilmar Pinna, atualmente com 70 anos. O projeto original previa a exibição da peça na arena corintiana justamente no período em que o Brasil sediou o mundial da Federação Internacional de Futebol (Fifa). No entanto, a diretoria da época barrou a instalação sob o argumento de que o monumento não integrava o projeto arquitetônico oficial do estádio.
Sem o aval do clube paulista, o artista firmou um acordo com a prefeitura de Guarulhos. Dessa forma, a figura do cavaleiro montado em um cavalo empinado acabou posicionada a cerca de 20 quilômetros da arena. O local foi escolhido por ser uma rota de passagem obrigatória para delegações e torcedores que desembarcavam no estado para acompanhar os jogos.
Como ocorreu o acordo para a transferência da obra?
A mudança de cenário exigiu longas rodadas de negociação institucional. Gilmar Pinna relatou que o contrato definitivo para a doação foi assinado durante a gestão de Augusto Melo, que assumiu a presidência em 2024, mas acabou destituído do cargo no ano seguinte após denúncias envolvendo contratos de patrocínio. Posteriormente, o atual mandatário, Osmar Stabile, referendou o documento, garantindo o espaço definitivo para o padroeiro corintiano.
A expectativa do autor é que o trabalho de montagem seja finalizado rapidamente, com a inauguração oficial agendada para o dia 23 de abril de 2026, data em que se celebra o Dia de São Jorge. A versão que agora ganha forma no estádio é ainda mais imponente do que aquela vista nas estradas paulistas, incorporando elementos inéditos que estavam armazenados há mais de uma década.
Quais são os novos detalhes e os custos do monumento?
A composição completa da obra traz elementos simbólicos fortes. Além do santo e de seu cavalo, a escultura passa a contar com um dragão de 12 metros de altura e um braço erguido com o punho cerrado, uma homenagem direta ao gesto eternizado pelo ex-jogador Sócrates (1954-2011), um dos maiores ídolos da história do Corinthians. O artista plástico destaca o tom pacifista de sua criação:
“Essa mão é um pedido de paz para o mundo, estou ‘usando’ a arena para passar minha mensagem de artista. É um monumento diferente, pois ele não mata o dragão, não há matança.”
Para viabilizar a empreitada sem gerar despesas aos cofres do Corinthians, uma força-tarefa foi mobilizada. A estrutura contou com os seguintes apoios logísticos e financeiros:
- Doação de toneladas de ferro por empresas parceiras para a construção do alicerce.
- Fornecimento de concreto de forma gratuita para garantir a estabilidade da fundação.
- Apoio de patrocinadores independentes articulados pelo próprio escultor ao longo do processo.
Na época de sua confecção original, a estátua foi avaliada em R$ 1 milhão, valor que corresponde a cerca de R$ 1,8 milhão considerando as correções monetárias atuais. Embora Gilmar Pinna não divulgue o balanço final da operação de transferência e remontagem, ele assegura que os custos reais ultrapassaram essa estimativa inicial. O escultor já é reconhecido por outras grandes construções metálicas religiosas, como o monumento de Nossa Senhora em Aparecida e diversas obras bíblicas instaladas em Ilhabela, ambas no estado de São Paulo.