Lei de Espécies Ameaçadas é flexibilizada para perfuração no Golfo do México - Brasileira.News
Início Energia & Clima Lei de Espécies Ameaçadas é flexibilizada para perfuração no Golfo do México

Lei de Espécies Ameaçadas é flexibilizada para perfuração no Golfo do México

0
10
Response boats work to clean up oil where the Deepwater Horizon offshore oil rig sank on April 22, 2010. The mobile drilling
Response boats work to clean up oil where the Deepwater Horizon offshore oil rig sank on April 22, 2010. The mobile drilling platform was engulfed in flames after an explosion April 20th. The Coast Gu Foto: Unknown authorUnknown author — Public domain

Um comitê federal dos Estados Unidos formado por integrantes do governo Donald Trump aprovou, em 31 de março de 2026, uma isenção da Endangered Species Act, lei de proteção a espécies ameaçadas, para atividades de exploração e desenvolvimento de petróleo e gás no Golfo do México. A decisão foi tomada após uma reunião fechada de 20 minutos, convocada a pedido do Pentágono sob a justificativa de segurança nacional. De acordo com informações da Earth.Org, a medida abre espaço para a expansão da perfuração offshore em uma região que abriga espécies ameaçadas e em risco de extinção.

Segundo o texto original, o pedido partiu em março de 2026 e solicitava uma exceção para “todas” as atividades de exploração e desenvolvimento de petróleo e gás supervisionadas por agências federais no Golfo do México. A Endangered Species Act, criada em 1973, exige que órgãos federais garantam que suas ações não coloquem em risco espécies protegidas nem destruam habitats críticos. Ainda de acordo com a reportagem, a lei ajudou a evitar a extinção de 99% das espécies listadas desde sua criação.

A decisão tem repercussão além dos Estados Unidos porque o Golfo do México é uma das principais áreas produtoras de petróleo offshore do mundo. Mudanças regulatórias que afetem a oferta na região podem influenciar o mercado internacional de energia, acompanhado de perto por países como o Brasil, também grande produtor de petróleo em águas profundas.

Quem tomou a decisão e qual foi a justificativa apresentada?

A aprovação foi dada pelo Endangered Species Committee, grupo também conhecido como “God squad” por ter poder excepcional para decidir sobre ações federais que possam afetar a sobrevivência de espécies protegidas. O comitê é liderado pelo secretário do Interior e reúne ainda o secretário da Agricultura, o secretário do Exército, o presidente do Conselho de Assessores Econômicos, o administrador da Agência de Proteção Ambiental e o administrador da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Ao defender a solicitação diante do comitê, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que a Endangered Species Act poderia “interromper ou comprometer severamente” atividades de petróleo e gás no Golfo consideradas necessárias para abastecer o país e as forças armadas. Segundo a reportagem, ele classificou o pedido como uma “questão urgente de segurança nacional”.

“A ação hostil recente do regime terrorista iraniano destaca mais uma vez por que uma produção doméstica robusta de petróleo é um imperativo de segurança nacional.”

O texto informa ainda que esta foi a primeira vez em que o comitê foi convocado com base em razões de segurança nacional. Criado pelo Congresso em 1978, o grupo havia se reunido apenas três vezes até hoje, sendo a última em 1992.

Quais são os riscos apontados por ambientalistas?

Organizações ambientais afirmam que a medida busca evitar entraves aos planos de expansão de combustíveis fósseis e pode criar um precedente para futuros projetos do setor. O Center for Biological Diversity chegou a entrar na Justiça em março de 2026 para tentar barrar a reunião, mas um juiz rejeitou o pedido em 27 de março de 2026, na sexta-feira anterior à decisão do comitê.

O Golfo do México abriga 20 espécies ameaçadas ou em perigo, entre elas tartarugas marinhas, esturjões, raias-manta, tubarões e as baleias-de-Rice. Segundo a reportagem, essa espécie existe apenas na região e tem somente 51 indivíduos remanescentes, após o colapso populacional associado ao desastre da Deepwater Horizon.

Para o Brasil, o debate também dialoga com discussões sobre exploração offshore e licenciamento ambiental em áreas sensíveis. O país concentra parte relevante de sua produção no pré-sal, o que faz com que decisões internacionais sobre petróleo, regulação ambiental e segurança energética tenham impacto indireto no setor.

“É grotesco que Pete Hegseth use a segurança nacional como pretexto para dar à indústria do petróleo um passe livre para eliminar as baleias mais ameaçadas dos Estados Unidos.”

A declaração foi atribuída a Brett Hartl, diretor de assuntos governamentais do Center for Biological Diversity. Ele também acusou o governo de usar de forma indevida um mecanismo restrito da legislação para atingir a sobrevivência da baleia-de-Rice.

Houve reação pública à decisão?

Sim. Dezenas de ambientalistas protestaram do lado de fora do Departamento do Interior em 31 de março de 2026, com cartazes e palavras de ordem em defesa da Endangered Species Act e contra o avanço da indústria petrolífera sobre o ecossistema do Golfo. A reportagem cita críticas de diferentes entidades ambientalistas à condução do processo e ao fato de a deliberação ter ocorrido a portas fechadas.

Susan Holmes, diretora executiva da Endangered Species Coalition, afirmou que nenhum governo anterior, republicano ou democrata, havia buscado uma isenção tão ampla da lei. Já Beth Lowell, vice-presidente da organização Oceana, declarou que a votação coloca espécies ameaçadas em uma rota desnecessária de extinção.

  • O pedido de isenção abrange atividades de petróleo e gás supervisionadas por agências federais no Golfo do México.
  • A decisão foi aprovada após reunião fechada de 20 minutos.
  • Ambientalistas alertam para impacto sobre espécies ameaçadas e para possível precedente regulatório.
  • O comitê havia se reunido apenas três vezes desde 1978, antes deste encontro.

A medida amplia o debate nos Estados Unidos sobre o equilíbrio entre segurança energética, proteção ambiental e cumprimento das salvaguardas previstas na legislação federal para espécies ameaçadas.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here