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Abiquim diz que setor químico no Brasil não tem desabastecimento imediato

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Comissão de Meio Ambiente (CMA) realiza audiência pública semipresencial para subsidiar a construção de um projeto de lei sob
Comissão de Meio Ambiente (CMA) realiza audiência pública semipresencial para subsidiar a construção de um projeto de lei sobre a Economia Circular do Plástico, para reduzir os impactos ambientais des Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil — CC BY 2.0

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) afirmou nesta terça-feira, 31 de março de 2026, que não há desabastecimento do setor químico no Brasil no curto prazo, apesar da volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio iniciado no fim de fevereiro. Segundo a entidade, a indústria nacional tem capacidade ociosa suficiente para atender à demanda doméstica mesmo em um cenário hipotético de queda drástica das importações. De acordo com informações do Petronotícias, a associação publicou um comunicado para contestar análises que classificou como alarmistas e equivocadas.

A Abiquim representa empresas da indústria química no país, um setor que fornece insumos para cadeias como as de plásticos, embalagens, saúde, agricultura e alimentos. A entidade sustenta que essas análises se baseiam principalmente em projeções e preços pontuais no mercado spot, enquanto o funcionamento do setor químico ocorre majoritariamente por meio de contratos de médio prazo e cláusulas de demanda firme. Na avaliação da associação, essa estrutura reduz a transmissão imediata das oscilações externas e ajuda a garantir previsibilidade ao suprimento no mercado brasileiro.

Por que a Abiquim afirma que não há risco imediato de falta de produtos?

De acordo com a associação, não existe insuficiência estrutural de produção no país. Pelo contrário, a indústria química brasileira opera com níveis elevados de ociosidade. Em 2025, essa média chegou a 41%, descrita pela entidade como o pior patamar em 30 anos. Em segmentos de intermediários para plásticos, o índice alcança 45%.

A Abiquim também afirmou haver ampla capacidade disponível na produção de resinas termoplásticas, incluindo PE, PP e PVC. Para a associação, a concentração industrial observada no Brasil não representa uma distorção, mas uma característica global de um setor intensivo em capital, que exige escala mundial e plantas integradas para garantir eficiência produtiva.

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“A resiliência do setor foi testada e comprovada recentemente. Mesmo durante o auge da pandemia de COVID-19 (2021-2022), uma crise sem precedentes na história moderna, não houve paralisação sistêmica no fornecimento de insumos essenciais para setores de alimentos, saúde e embalagens.”

No comunicado reproduzido pela reportagem original, a entidade afirma que, naquele período, o mercado interno foi atendido por estoques nacionais e importações complementares, o que, segundo a associação, afasta a hipótese de colapso de suprimento no cenário atual.

O que a entidade diz sobre importações e origem dos produtos?

A nota informa que o Brasil importa historicamente entre 25% e 30% das resinas que consome, padrão que a Abiquim considera comum em mercados globais. No entanto, entre 2024 e 2025, esse percentual teria subido para cerca de 46%. A associação classificou esse movimento como um surto predatório de importações, apontando impacto direto sobre a ociosidade das fábricas nacionais.

Segundo a entidade, esse aumento da presença de produtos estrangeiros não teria relação com o conflito no Oriente Médio. A justificativa apresentada é que as importações brasileiras de resinas vêm majoritariamente das Américas, com destaque para os Estados Unidos, além da China, de outros parceiros asiáticos e do Egito, regiões que, de acordo com a nota, não sofrem impactos logísticos ou operacionais diretos pelas hostilidades atuais.

  • Importação histórica de resinas: entre 25% e 30% do consumo
  • Importação entre 2024 e 2025: cerca de 46%, segundo a Abiquim
  • Ociosidade média da indústria em 2025: 41%
  • Ociosidade em intermediários para plásticos: 45%

Quais são os principais desafios apontados para a indústria química brasileira?

A Abiquim afirma que o problema central do setor não é a falta de produto, mas a competitividade da produção nacional. Entre os fatores citados pela entidade estão o alto custo da energia, o preço elevado do gás natural, as assimetrias regulatórias e as práticas desleais de comércio internacional.

A associação também declarou que o Brasil tem capacidade para produzir diferentes grades de PE, PP e PVC. Nos casos em que há importação de resinas de nicho, a entidade afirma que isso decorre de decisões comerciais dos transformadores, como homologações técnicas específicas ou estratégias de custo, e não de uma limitação técnica da indústria nacional.

Sobre as especulações em torno de aumento de preços, a Abiquim afirmou que todo o setor produtivo mundial sofre pressão de custos relacionada à elevação do preço do petróleo. Ainda segundo a nota, o conflito não havia completado um mês até a publicação do comunicado, o que, na visão da entidade, ainda não permitiria medir a abrangência e a duração de eventuais pressões sobre preços.

Por fim, a associação defendeu a adoção de políticas de comércio exterior mais firmes. Entre os instrumentos mencionados pela entidade estão a Lista de Desequilíbrios Concorrenciais Conjunturais (DCC) e medidas antidumping, mecanismos usados no comércio exterior para responder a práticas consideradas desleais. Segundo a nota, esses instrumentos seriam importantes para enfrentar o comércio desleal e preservar investimentos, inovação e desenvolvimento industrial no país.

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