
A Inglaterra passou a adotar, a partir desta terça-feira, 31 de março de 2026, novas regras para a coleta de lixo e reciclagem com o objetivo de padronizar o sistema em todo o país, ampliar a coleta de resíduos alimentares e tentar reverter a estagnação das taxas de reciclagem. As mudanças valem para residências, incluindo apartamentos e propriedades compartilhadas, e determinam a separação entre resíduos de alimentos e jardim, papel e papelão, recicláveis secos como vidro, metal, plástico e embalagens cartonadas, além do lixo não reciclável. De acordo com informações do Guardian Environment, a reforma entra em vigor sob a legislação chamada Simpler Recycling.
Embora se trate de uma medida local, o tema tem impacto mais amplo no debate sobre gestão de resíduos, inclusive no Brasil, onde a coleta seletiva e o tratamento de resíduos orgânicos também variam bastante entre cidades. A política busca reduzir a desigualdade entre regiões na forma de coletar resíduos e elevar o desempenho nacional. Segundo a reportagem, a taxa de reciclagem na Inglaterra está parada em cerca de 44% há vários anos, abaixo de Gales, com 57%, e da Irlanda do Norte, com cerca de 50%. A meta do governo é alcançar uma taxa municipal de reciclagem de 65% até 2035. A ministra do Meio Ambiente, Mary Creagh, afirmou que os conselhos locais receberam reforço relevante no orçamento deste ano para apoiar a implementação da medida.
O que muda nas regras de reciclagem na Inglaterra?
Com as novas exigências, os conselhos locais devem oferecer coletas separadas para grupos específicos de resíduos. A padronização vale para todos os domicílios e pretende simplificar a rotina da população e tornar o sistema mais uniforme entre diferentes cidades e distritos. Na prática, a mudança chama atenção por priorizar também os resíduos alimentares, um ponto central nas políticas de redução de emissões ligadas ao lixo urbano.
- resíduos alimentares e de jardim
- papel e papelão
- outros recicláveis secos, como vidro, metal, plástico e embalagens cartonadas
- lixo não reciclável
Embora a reforma entre em vigor em 31 de março de 2026, nem todos os conselhos locais farão todas as mudanças imediatamente. O governo informou, de acordo com o texto original, que 31 conselhos têm arranjos transitórios específicos que permitem adiar a coleta de resíduos alimentares além desta terça-feira. Ainda assim, todos devem cumprir o prazo de 31 de março para padronizar a coleta de recicláveis secos, incluindo vidro, metal, plástico, papel e papelão.
O que acontece com o material reciclado após a coleta?
Depois de recolhidos, os resíduos recicláveis são levados a instalações de recuperação de materiais, onde passam por triagem com magnetos, escâneres ópticos e jatos de ar. Nesse processo, os itens são separados em categorias como papel, plástico, vidro e metais. Em seguida, os materiais são enfardados e enviados a reprocessadores para serem transformados em novos produtos.
A reportagem destaca, porém, que cerca de metade do plástico reciclado coletado no Reino Unido é exportada para outros países, principalmente Turquia, Holanda e Malásia. O texto também informa que as exportações de resíduos plásticos para países em desenvolvimento cresceram fortemente no ano passado. Segundo dados do setor citados pela reportagem, 21 instalações de reciclagem e processamento de plástico no Reino Unido fecharam nos últimos dois anos, apontando como fatores a escala das exportações, os baixos preços do plástico virgem e a concorrência de importações mais baratas da Ásia.
Ainda segundo o texto, enquanto a União Europeia concordou em proibir exportações para países em desenvolvimento, o Reino Unido ainda não adotou política semelhante, apesar de compromissos assumidos por governos anteriores. A matéria também relata que entre 3,4 milhões e 4,3 milhões de toneladas de resíduos de papel e papelão são exportadas todos os anos para reciclagem.
Por que a coleta de resíduos alimentares é tratada como uma das principais mudanças?
A coleta semanal e gratuita de resíduos alimentares para residências é apontada como uma das alterações mais importantes da reforma. Cada domicílio deve receber dois recipientes: um pequeno coletor para a cozinha e outro maior, externo, para o recolhimento. Quando separado corretamente, esse material pode ser processado por digestão anaeróbica, gerando energia renovável e biofertilizante para a agricultura.
A medida também pretende reduzir o volume de alimentos descartados no lixo comum. Se enviados a aterros, esses resíduos se decompõem e liberam gases de efeito estufa, especialmente metano, descrito na reportagem como mais de 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono. O governo também espera que a universalização desse tipo de coleta aumente a percepção das famílias sobre a quantidade de resíduos que produzem.
Por que as regras variavam tanto entre as regiões inglesas?
De acordo com a reportagem, a diversidade de políticas locais, diferenças de infraestrutura, tipos de moradia e fatores socioeconômicos ajudaram a criar variações relevantes nas taxas de reciclagem. Algumas autoridades locais coletam lixo semanalmente, outras em intervalos quinzenais; algumas exigem separação prévia dos materiais, enquanto outras trabalham com reciclagem misturada. Nem todos os conselhos recolhem os mesmos itens, e áreas sem coleta de resíduos alimentares ou de certos tipos de plástico tendem a registrar índices menores.
O texto também chama atenção para os erros de descarte. Se plásticos biodegradáveis ou compostáveis forem misturados ao plástico reciclável convencional, eles podem comprometer todo o lote. Da mesma forma, materiais recicláveis como papel e papelão, quando jogados no lixo residual, tendem a seguir para aterro ou incineração em vez de reciclagem, com impacto maior na emissão de gases de efeito estufa.
E as embalagens mais difíceis, como tubos de pasta de dente?
Os tubos de pasta de dente são citados como um exemplo histórico de item difícil de reciclar, devido à combinação de diferentes materiais em sua composição.


