O estado de Mato Grosso do Sul vai receber doses da vacina contra a chikungunya como parte de um projeto piloto do Ministério da Saúde. A confirmação foi feita nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, pela Secretaria de Estado de Saúde, após solicitação formal motivada pelo alto número de casos de arboviroses registrado em Dourados, especialmente em territórios indígenas.
De acordo com informações da Agência Brasil, a inclusão de Mato Grosso do Sul na estratégia piloto ocorreu depois que o estado apresentou uma resposta técnica ao ministério, pleiteando participação na iniciativa que, inicialmente, era restrita a poucos municípios brasileiros.
Por que Dourados foi priorizada na vacinação contra chikungunya?
A definição dos municípios que recebem a vacina segue critérios técnicos como situação epidemiológica, capacidade operacional e estrutura de vigilância em saúde. Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul e na faixa de fronteira com o Paraguai, se enquadra como área prioritária devido ao impacto da doença nas comunidades indígenas da região.
A vacina contra a chikungunya foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e encontra-se na fase 4 de monitoramento, que avalia a efetividade do imunizante em condições reais de uso. A Anvisa é o órgão federal responsável por autorizar o uso de vacinas e medicamentos no país.
Como será implementada a estratégia piloto no estado?
O Ministério da Saúde confirmou o envio de equipes para capacitação dos profissionais de saúde de Mato Grosso do Sul. A vacinação terá início pela população indígena, com treinamento específico voltado aos profissionais que atuam diretamente nessas comunidades.
O Instituto Butantan, parceiro do ministério na iniciativa, também realizará treinamento com as equipes de salas de vacina no estado. O Butantan é um instituto público ligado ao governo de São Paulo e um dos principais produtores de imunobiológicos do Brasil. A estratégia é conduzida de forma controlada e monitorada.
“Antes mesmo da confirmação do envio das doses, o estado já havia estruturado uma resposta técnica para pleitear a participação na estratégia nacional, inicialmente restrita a poucos municípios brasileiros”
A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul reforçou que, por se tratar de uma estratégia piloto, a vacinação contra a chikungunya ainda ocorre de forma restrita no país. A expectativa é que, a partir dos resultados obtidos, haja ampliação progressiva da oferta do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS).
Até o momento, o projeto piloto já foi implementado em municípios selecionados de diferentes estados. A iniciativa representa mais uma frente de combate às arboviroses, que incluem também dengue e zika, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
A medida reforça a importância do monitoramento epidemiológico contínuo em regiões com maior incidência da doença. A chikungunya causa febre alta, dores intensas nas articulações e pode deixar sequelas de longa duração, especialmente em idosos e pessoas com comorbidades.
A Secretaria de Saúde estadual já vinha se preparando para a chegada das doses, o que demonstra articulação entre os níveis federal e estadual de gestão sanitária. A prioridade dada às comunidades indígenas reflete o maior risco observado nesses territórios nos últimos meses.



