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Escola não é clínica, mas deve evitar piorar saúde mental, diz especialista

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A psicóloga educacional britânica Sue Roffey afirmou que, embora a escola não deva substituir serviços clínicos, não pode ignorar nem piorar fatores que impactam negativamente a saúde mental dos estudantes. Em entrevista à Folha, durante evento em São Paulo no dia 28 de março de 2026, ela defendeu uma abordagem institucional voltada ao bem-estar socioemocional, com base em evidências da neuropsicologia e na formação docente.

Roffey, professora honorária da University College London, no Reino Unido, e integrante do grupo de especialistas sobre infância da OCDE, organização que reúne países para cooperação em políticas públicas, destacou que o foco exclusivo em desempenho acadêmico, notas e vestibulares tem gerado sentimentos de fracasso em muitos jovens. Para ela, a educação deve ampliar seu escopo para reconhecer talentos diversos e promover habilidades como pensamento crítico, autonomia e colaboração.

Por que o bem-estar escolar importa?

Segundo a especialista, nas últimas duas décadas e meia, pesquisas têm demonstrado que crianças e adolescentes aprendem melhor quando se sentem seguros, valorizados e inseridos em relações de apoio. “É uma falsa dicotomia separar bem-estar de desempenho acadêmico”, afirmou. Ela ressaltou que a pandemia de Covid-19 intensificou os desafios emocionais enfrentados pelos alunos, exigindo respostas sistêmicas das instituições de ensino.

Seu método, chamado Circle Solutions (Soluções em Círculo), propõe rodas de conversa estruturadas, conduzidas por professores treinados, para fortalecer vínculos e desenvolver princípios resumidos no acrônimo ASPIRE: Autonomia, Segurança, Positividade, Inclusão, Respeito e Equidade.

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Como evitar que a escola agrave problemas de saúde mental?

Roffey rejeita a ideia de que discutir emoções ou criar ambientes acolhedores seja “marketing” ou retórica vazia. Para ela, o trabalho deve envolver toda a comunidade escolar — alunos, professores e gestores — diariamente. “Não se trata de fazer mais coisas, mas de fazer algumas coisas de forma diferente”, disse, citando a necessidade de reduzir a competição excessiva, prevenir o bullying e abordar temas como mudanças climáticas, misoginia e uso de redes sociais com foco em soluções coletivas.

Ela também defendeu a proibição do uso de celulares em sala de aula e o veto ao acesso de menores de 16 anos às redes sociais, medidas que considera essenciais para proteger o desenvolvimento emocional dos jovens.

  • Incluir formação em relações positivas na graduação de professores
  • Adotar abordagens institucionais, não isoladas por docentes individuais
  • Promover discussões sobre ansiedade, depressão e injustiças sociais com foco em resiliência

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