O Papa Leão XIV afirmou neste domingo, 29 de março de 2026, que Deus rejeita as orações de líderes que promovem guerras e que eles têm “mãos cheias de sangue”. A declaração foi feita durante a oração do Angelus na Praça de São Pedro, no Vaticano, enquanto o conflito no Irã completa seu segundo mês.
De acordo com informações do G1, o pontífice discursou para dezenas de milhares de fiéis que participavam do Domingo de Ramos, celebração que marca o início da Semana Santa para os católicos. No Brasil, país com a maior população católica do mundo, manifestações do papa nesse período costumam ter forte repercussão religiosa e social entre fiéis e lideranças da Igreja.
O que o Papa Leão XIV disse sobre as orações de líderes de guerra?
O Papa Leão XIV citou uma passagem bíblica para reforçar sua posição. Ele declarou que Jesus “não ouve as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue’”.
“Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”
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O líder da Igreja Católica também afirmou que Jesus “não se armou, nem se defendeu, nem lutou qualquer guerra” e que ele “revelou o rosto gentil de Deus, que sempre rejeita a violência”.
Por que o Papa intensificou as críticas à guerra no Irã?
Leão XIV não citou nomes de líderes mundiais, mas tem aumentado o tom de suas críticas ao conflito no Irã nas últimas semanas. Ele classificou o confronto como “atroz” e lamentou que os cristãos no Oriente Médio estejam sofrendo as consequências do conflito e possam não conseguir celebrar a Páscoa.
O pontífice tem pedido de forma repetida um cessar-fogo imediato. Na segunda-feira, ele afirmou que os ataques aéreos militares são indiscriminados e devem ser proibidos.
Qual o contexto da declaração do Papa Leão XIV?
As declarações ocorrem após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, deflagrada em 28 de fevereiro por ataques aéreos conjuntos. Algumas autoridades americanas utilizaram linguagem cristã para justificar as ações militares.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, chegou a rezar por “violência de ação avassaladora contra aqueles que não merecem misericórdia” durante um culto no Pentágono.
Durante sua homilia, o Papa Leão XIV fez referência ao momento em que Jesus, prestes a ser preso, repreendeu um seguidor que usou uma espada contra quem o prendia. Segundo o pontífice, Jesus escolheu não se defender com violência, mas permitir ser crucificado.
A posição do Papa reforça a doutrina tradicional da Igreja Católica de repúdio à guerra e de defesa da paz, especialmente em um momento de alta tensão no Oriente Médio que afeta diretamente comunidades cristãs na região. Para o Brasil, onde a Igreja Católica tem presença histórica e capilaridade nacional, a fala também dialoga com debates públicos sobre paz, religião e o uso da fé por autoridades políticas.


