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Ilya Remeslo critica Putin, é internado em hospital psiquiátrico e fica incomunicável na Rússia

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Retrato em preto e branco de Ilya Remeslo olhando para a câmera com expressão séria e semblante abatido.
Foto: IoSonoUnaFotoCamera / flickr (by-sa)

Ilya Remeslo, advogado e blogueiro russo de 42 anos que por anos atuou em defesa do Kremlin, publicou em 17 de março de 2026 um manifesto contra Vladimir Putin, no qual criticou a guerra na Ucrânia, a censura na internet e a permanência do presidente no poder. No dia seguinte, segundo relatos citados pela imprensa local, ele foi levado ao Hospital Psiquiátrico nº 3 de São Petersburgo e, desde então, permanece incomunicável. De acordo com informações do g1 Mundo, as circunstâncias da internação seguem indefinidas e provocaram questionamentos entre seguidores e observadores do caso. O episódio ocorre na Rússia, país que mantém relações diplomáticas com o Brasil e integra, ao lado dos brasileiros, o Brics, o que dá relevância adicional ao caso por envolver liberdades civis e tratamento de opositores em uma potência com peso internacional.

Remeslo divulgou o texto para seus 90 mil seguidores no Telegram sob o título Cinco razões pelas quais deixei de apoiar Vladimir Putin. No manifesto, afirmou que a guerra contra a Ucrânia estava “fracassando”, criticou a falta de liberdade de expressão e disse que Putin estava no poder havia tempo demais. Ele também classificou as coletivas de imprensa do presidente como um “circo” e defendeu sua renúncia.

O que Ilya Remeslo escreveu contra Putin?

No texto publicado no Telegram, Remeslo fez críticas diretas ao governo russo e ao presidente. Entre os pontos citados, estavam a condução da guerra na Ucrânia, a censura online e a longevidade de Putin no cargo. Em seguida, ele publicou vídeos para afirmar que ainda estava na Rússia e declarou estar preparado para ser preso.

“Putin deve renunciar e ser levado à justiça como criminoso de guerra e ladrão”.

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Antes da internação, Remeslo também disse que esperava ser reconhecido como “um herói” depois de uma eventual queda de Putin. Segundo a reportagem original, ele afirmou ter mudado de posição por vontade própria e atribuiu essa guinada a uma “evolução pessoal” e a uma nova “missão” em sua vida.

Como ocorreu a internação em São Petersburgo?

Horas após a repercussão do manifesto, surgiu a informação de que Remeslo havia sido internado no Hospital Psiquiátrico nº 3 de São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia. Segundo o jornal Fontanka, citado pela reportagem, fontes não identificadas relataram que uma ambulância foi até a casa do blogueiro na quarta-feira antes de levá-lo à unidade.

Desde então, ele não voltou a se comunicar publicamente. A falta de detalhes sobre a internação alimentou dúvidas sobre o que de fato ocorreu. A reportagem não informa decisão judicial, laudo médico ou manifestação oficial das autoridades russas sobre o caso.

Quem é Ilya Remeslo e por que a mudança chamou atenção?

A mudança de posição gerou impacto porque Remeslo era conhecido como um dos chamados “blogueiros Z”, grupo associado ao apoio à ofensiva russa na Ucrânia. Durante anos, ele publicou ataques contra críticos do regime e contra jornalistas independentes. Também fazia críticas públicas ao opositor Alexei Navalny e chegou a testemunhar em processos contra ele.

Em entrevista mencionada na reportagem, Remeslo disse que seus ataques anteriores à oposição russa já não correspondiam às suas visões atuais. Segundo seu relato, essa mudança começou a tomar forma depois da rebelião liderada por Yevgeny Prigozhin contra o Kremlin em 2023. Mesmo ciente dos riscos, ele afirmou que não pretendia deixar o país.

  • Remeslo era identificado como aliado do campo pró-Kremlin.
  • Ele criticou a guerra na Ucrânia e a censura na internet.
  • Foi internado após publicar manifesto e vídeos no Telegram.
  • Permanece incomunicável, segundo a reportagem.

Como aliados e analistas reagiram ao caso?

A reação entre antigos aliados foi de surpresa e desconfiança. Apti Alaudinov, chefe de uma unidade das forças especiais chechenas com a qual Remeslo havia atuado anteriormente, afirmou estar “profundamente chocado” e disse que o blogueiro era uma pessoa pró-governo, com conexões nos serviços de segurança. Já o apresentador Vladimir Solovyov especulou que ele poderia ter sofrido um “colapso nervoso” por causa da guerra.

Sites alinhados ao regime passaram a classificar as críticas como uma tentativa de desestabilizar a Rússia, enquanto outros levantaram a hipótese de que tudo poderia fazer parte de um “experimento” em favor de terceiros. Do outro lado, o pesquisador Ivan Filippov descreveu Remeslo como “cúmplice no assassinato de Alexei Navalny” e afirmou que as acusações feitas contra Putin eram inéditas em sua trajetória pública.

O cientista político Abbas Gallyamov avaliou que a suposta mudança de postura de Remeslo refletiria um movimento mais amplo na sociedade russa, ligado ao desgaste da guerra, aos problemas econômicos e à desconfiança crescente em relação ao regime. Já Dmitry Oreshkin afirmou que o blogueiro provavelmente foi internado à força e observou que a clínica mencionada tem reputação sombria desde a era soviética. Para o público brasileiro, o caso também dialoga com o debate internacional sobre direitos humanos e uso de instituições psiquiátricas em contextos políticos, tema acompanhado por organismos e governos em diferentes países.

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