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ONU confirma década mais quente da história e acende alerta para o clima no Brasil

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Um balanço semanal de notícias climáticas reuniu, na quarta semana de março de 2026, cinco temas centrais: a confirmação de que o planeta atravessou a década mais quente já registrada, um acordo do governo dos Estados Unidos com a TotalEnergies para encerrar projetos eólicos offshore, recomendações da Agência Internacional de Energia para reduzir o consumo de combustíveis, um estudo sobre mortes relacionadas ao calor em países mais pobres e a pressão de grupos ambientais pela demissão do chefe da EPA. De acordo com informações da Earth.Org, os fatos foram compilados em uma rodada de destaques da semana sobre clima e energia.

O primeiro destaque é um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU, que apontou que os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, foram os mais quentes já registrados. Segundo o documento State of the Global Climate, o sistema climático da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história observada, com mudanças rápidas em poucas décadas e efeitos que podem perdurar por centenas ou milhares de anos. Para o Brasil, esse tipo de diagnóstico é relevante porque o aquecimento global afeta diretamente extremos de chuva, secas e ondas de calor, com impacto sobre agricultura, energia e abastecimento.

“Quando a história se repete onze vezes, já não é mais uma coincidência. É um chamado à ação”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O relatório também afirma que os oceanos, responsáveis por absorver cerca de 90% do excesso de calor gerado pelos gases de efeito estufa, estão aquecendo em velocidade recorde. A publicação cita que cada um dos últimos nove anos estabeleceu um novo recorde de conteúdo de calor oceânico, e que a taxa de aquecimento observada entre 2005 e 2025 foi o dobro da verificada entre 1960 e 2005. Além disso, quase 90% do oceano teria enfrentado ao menos uma onda de calor marinha no ano passado. Em um país com extensa costa como o Brasil, mudanças na temperatura dos oceanos também podem influenciar ecossistemas marinhos, pesca e padrões climáticos no litoral.

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O que mudou na política energética dos Estados Unidos?

Outro ponto do levantamento trata de uma decisão anunciada pelo Departamento do Interior dos Estados Unidos. Segundo a Earth.Org, o órgão informou que reembolsará a TotalEnergies em US$ 928 milhões, valor pago anteriormente pela empresa ao governo Biden por concessões em águas federais destinadas à construção de parques eólicos offshore próximos de Nova York e da Carolina do Norte. Em contrapartida, a petroleira teria prometido redirecionar esses recursos para projetos de petróleo e gás no país, inclusive no Texas.

“Eles não gostam que desenvolvamos essa concessão de energia eólica offshore porque têm algumas preocupações de segurança nacional. Não cabe a mim decidir se sim ou não”, disse o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, à CNBC.

A publicação afirma que o governo Trump citou preocupações de segurança nacional não detalhadas para interromper também a construção de outros cinco parques eólicos na costa leste em dezembro. Ainda de acordo com o texto original, juízes federais rejeitaram essas alegações e determinaram a retomada das obras, com um magistrado classificando a suspensão como “arbitrary and capricious”, expressão jurídica em inglês que pode ser traduzida como “arbitrária e caprichosa”. Embora o caso seja centrado nos Estados Unidos, mudanças na política energética da maior economia do mundo costumam repercutir no mercado internacional de petróleo e gás e no ritmo dos investimentos em transição energética, temas que também afetam o Brasil.

Como a guerra envolvendo o Irã entra na crise global de energia?

A Earth.Org também destaca um relatório da Agência Internacional de Energia sobre os efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no mercado global de petróleo. Segundo o texto, a crise teria provocado a maior interrupção de oferta da história do mercado mundial de petróleo, em meio ao bloqueio efetivo do tráfego no Estreito de Hormuz, rota por onde normalmente passa entre 20% e 25% da oferta global.

Diante desse cenário, a agência defendeu que medidas do lado da oferta não seriam suficientes e pediu a participação de consumidores, empresas e governos para reduzir a demanda. Entre as ações citadas no relatório estão mudanças imediatas em transporte, viagens e consumo doméstico. Para o Brasil, oscilações no petróleo no mercado internacional têm potencial de atingir preços de combustíveis, custos logísticos e inflação, mesmo com a produção nacional de óleo.

  • Trabalhar de casa quando possível
  • Reduzir limites de velocidade em rodovias em pelo menos 10 km/h
  • Incentivar o uso de transporte público
  • Ampliar o compartilhamento de carros
  • Evitar viagens aéreas quando houver alternativa
  • Adotar soluções modernas de cozinha, como opções elétricas, quando possível

Quais os impactos desiguais do calor entre países ricos e pobres?

Outro estudo citado no compilado, elaborado por pesquisadores do Climate Impact Lab, projeta que países de renda mais baixa poderão registrar, até 2050, dez vezes mais mortes relacionadas ao calor do que países ricos. A estimativa mencionada é de cerca de 391 mil mortes anuais em nações de menor renda, ante aproximadamente 39 mil em países mais ricos.

De acordo com a publicação, regiões como o Sahel africano, incluindo países como Níger e Burkina Faso, podem ter aumentos de 60 ou mais mortes por ano a cada 100 mil habitantes. O texto também cita projeções para o sudeste da Bolívia e para o Paquistão, enquanto áreas frias como Alasca, Canadá e Groenlândia tenderiam a registrar queda nas mortes relacionadas ao calor. O debate interessa ao Brasil porque desigualdade social, urbanização intensa e acesso desigual a infraestrutura de saúde e refrigeração também influenciam a vulnerabilidade a eventos extremos de calor.

Por que grupos ambientais pedem a saída de Lee Zeldin?

O quinto destaque do resumo semanal informa que mais de 160 organizações ambientais e de saúde assinaram uma carta aberta pedindo a demissão de Lee Zeldin, administrador da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA. Segundo o documento citado, Zeldin teria “traído” a missão central da agência e adotado uma agenda classificada como perigosa para a saúde pública e o meio ambiente.

A carta, segundo a Earth.Org, foi assinada por 163 grupos locais e nacionais. O texto original informa ainda que a cobrança ocorre após decisões e mudanças de direção adotadas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. O balanço da semana, assim, conecta recordes de temperatura, disputas sobre energia fóssil e renovável, impactos humanos do aquecimento e embates políticos na condução da agenda ambiental dos Estados Unidos.

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