Um tram elétrico projetado nas Filipinas entrou em operação para uso público em Intramuros, a cidade murada de Manila, em 19 de março de 2026. O veículo, desenvolvido por órgãos do governo e universidades, foi apresentado como uma alternativa de baixa velocidade para circulação local, com foco em turismo, deslocamentos internos e redução do uso de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que recupera a estética histórica dos antigos bondes que circularam na capital filipina. Para o leitor brasileiro, a iniciativa chama atenção por ilustrar como projetos de mobilidade elétrica de curta distância podem ser aplicados em áreas históricas e turísticas, tema que também aparece em debates sobre transporte urbano e preservação patrimonial no Brasil.
De acordo com informações do CleanTechnica, o novo tranvia elétrico foi lançado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia das Filipinas, em parceria com a administração de Intramuros. O modelo começou a atender o público em uma área marcada pela memória dos antigos bondes da era espanhola e, depois, do sistema elétrico introduzido no período americano, interrompido após a Segunda Guerra Mundial.
Como foi desenvolvido o novo tram elétrico de Intramuros?
O projeto reúne governo e instituições acadêmicas. A supervisão ficou a cargo do DOST-National Capital Region e do Industrial Technology Development Institute, enquanto a execução técnica foi dividida entre a University of the Philippines Diliman e a Cagayan State University. Segundo o texto original, o veículo tem 18 assentos e foi concebido como um modelo de baixa velocidade.
A montagem mecânica, incluindo chassi e suspensão, foi conduzida pela Cagayan State University. Já os engenheiros da University of the Philippines Diliman ficaram responsáveis pela integração do conjunto de propulsão. O sistema substitui motores a diesel por um pacote de baterias de íons de lítio e um motor elétrico dedicado. O projeto também incluiu a implantação da infraestrutura de recarga necessária para manter a operação sem depender de combustíveis fósseis.
Na parte externa, o veículo preserva aparência inspirada nos antigos bondes para se harmonizar com a arquitetura colonial de Intramuros. Ao mesmo tempo, utiliza materiais atuais. De acordo com a reportagem, os painéis da carroceria e do teto usam um material compósito derivado de fibra de abacá, descrito como uma inovação local do Industrial Technology Development Institute.
Qual é o objetivo do projeto para mobilidade e turismo?
A iniciativa foi apresentada como uma tentativa de modernizar o turismo e, ao mesmo tempo, manter referência visual à história da capital filipina. A administradora de Intramuros, Joan M. Padilla, destacou a cooperação entre governo e academia. Em declaração reproduzida pela reportagem, ela afirmou:
“Essa colaboração reflete a força das parcerias entre o governo e a academia na entrega de soluções práticas e centradas nas pessoas. Que isso continue a inspirar esforços semelhantes para promover uma mobilidade mais verde, sistemas de turismo mais inteligentes e um futuro mais sustentável para nossas cidades.”
O secretário de Ciência e Tecnologia, Renato U. Solidum Jr., relacionou o projeto à oscilação dos custos de combustíveis e à segurança energética. Segundo a publicação, ele defendeu a produção local de veículos elétricos como forma de tornar esse tipo de transporte mais acessível. Em outra fala reproduzida no texto, declarou:
“Desenvolvê-lo garante que a mobilidade elétrica se torne prática, confiável e acessível para todos os filipinos.”
O programa também mira viabilidade econômica e expansão. O presidente da Cagayan State University, Arthur G. Ibañez, afirmou que outras unidades estão em produção. A distribuição prevista, segundo a reportagem, é a seguinte:
- três unidades adicionais para Intramuros;
- duas unidades para South Cotabato;
- duas unidades para Cagayan;
- uma unidade para o Palácio de Malacañang.
Quanto custa a unidade e quais trajetos já são atendidos?
O texto informa que o custo-base de materiais por unidade é de 2,5 milhões de pesos filipinos. A diretora regional do DOST-NCR, Romelen T. Tresvalles, disse que o departamento busca investidores do setor privado para viabilizar a transição da montagem de protótipos para uma escala industrial de fabricação.
Atualmente, uma unidade opera em Intramuros e oferece passeios gratuitos ao público. A rota inclui pontos como Fort Santiago, Museo de Intramuros e Baluarte de San Diego. O serviço também atende escolas localizadas no distrito e a região da Pasig Esplanade, funcionando como uma alternativa de emissão zero para estudantes e visitantes.
A reportagem também relembra o histórico dos antigos tranvias de Manila. O sistema teve origem em uma rede de bondes a vapor construída pelos espanhóis por volta de 1875 e depois foi substituído por uma rede elétrica no período americano. Em seu auge, segundo o texto, o sistema chegou a operar 12 linhas e mais de 100 quilômetros de trilhos, antes de ser destruído pela guerra. O novo veículo, nesse contexto, combina referência histórica com tecnologia elétrica desenvolvida localmente. Para o público brasileiro, o caso também serve como exemplo de uso de universidades e órgãos públicos no desenvolvimento de soluções de transporte, em um momento em que cidades do país discutem eletrificação de frotas e alternativas de baixa emissão.
