O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça declarou, nesta sexta-feira (20 de março de 2026), que o papel do juiz não é ser uma estrela, mas sim assumir responsabilidades e julgar com tranquilidade. A fala ocorreu durante palestra na seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro. Mendonça, que integra a Corte responsável pela guarda da Constituição, também fez referência à sua fé cristã como guia para suas decisões.
De acordo com informações da Agência Brasil, o ministro afirmou não ter a pretensão de ser visto como uma “esperança” ou alguém com dom especial. “O papel do bom juiz não é ser estrela. É simplesmente assumir a responsabilidade e julgar. Como eu sou cristão, pedindo a Deus que eu julgue de forma certa”, disse Mendonça.
Qual foi o contexto das declarações do ministro?
As declarações foram proferidas em um evento da OAB-RJ, seccional fluminense da entidade que representa a advocacia. Mendonça aproveitou a ocasião para discorrer sobre a postura esperada dos magistrados, enfatizando a necessidade de coragem e serenidade.
“Coragem é a capacidade de, no meio da adversidade, ter paz e tranquilidade para tomar as decisões. Coragem não é falar alto, não é ser arrogante, não precisa subir o tom da voz”, completou o ministro.
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O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do inquérito que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e as fraudes no Banco Master no mês anterior à sua fala. Ele recebeu o processo após o ministro Dias Toffoli pedir para deixar o caso, uma vez que Toffoli admitiu ser um dos sócios do resort Tayayá, adquirido por um fundo de investimento ligado ao Master e que também é alvo das investigações da Polícia Federal.
Qual a relação do caso com as responsabilidades do juiz?
A fala de Mendonça sobre juízes não serem estrelas e precisarem assumir responsabilidades ganha contorno específico diante do caso complexo que ele próprio relata. O inquérito sobre o Banco Master envolve alegações de fraude e movimentações financeiras irregulares, colocando sob os holofotes a atuação do Judiciário. A necessidade de julgamento imparcial e isento de qualquer espetacularização aparece como um dos pontos centrais de sua reflexão.
Ao defender uma postura tranquila e responsável, Mendonça posiciona-se contra um estilo de atuação judicial midiático ou protagonista. Sua visão alinha-se a uma concepção técnica e discreta da função, na qual a coragem estaria em manter a serenidade para decidir, mesmo sob pressão pública ou diante de casos de grande repercussão nacional.

