Um alto funcionário da Comissão Federal de Comunicações (FCC), agência reguladora dos Estados Unidos que supervisiona o setor de telecomunicações e radiodifusão, ofereceu assistência ao presidente da FCC, Brendan Carr, em uma campanha contra a Walt Disney Co. e o programa Jimmy Kimmel Live!. A informação foi revelada por e-mails internos obtidos pela WIRED.
Em 17 de setembro de 2025, Carr ameaçou a Disney com ações regulatórias devido a um monólogo de Jimmy Kimmel sobre a questão do assassinato de Charlie Kirk. A situação levou importantes afiliadas da emissora a retirarem a transmissão e forçou a ABC a suspender temporariamente o programa. Ainda naquele dia, Lark Hadley, diretor de fiscalização da FCC na Costa Oeste, enviou um e-mail a Carr e ao chefe de gabinete da FCC, Scott Delacourt. Na mensagem, Hadley expressou apoio pessoal em relação ao problema envolvendo Charlie Kirk, ABC e Disney.
Por que o apoio de Lark Hadley é significativo?
O apoio de Hadley, revelado no e-mail obtido por meio da Lei de Liberdade de Informação dos EUA, destacou um alinhamento incomum de um servidor público a uma campanha de pressão política. Hadley, que anteriormente trabalhou como radiodifusor, expressou frustração com a falta de responsabilidade, encorajando Carr a continuar com seus esforços e oferecendo ajuda.
Esse tipo de apoio é particularmente irregular em carreiras públicas com função de fiscalização, já que esses servidores estão sujeitos a regras de ética federais que proíbem a participação em questões nas quais sua imparcialidade possa ser questionada.
Qual foi a resposta da FCC e da ABC?
Mesmo diante do impacto significativo das ameaças de Carr, o escritório central da FCC, que normalmente lida com reclamações sobre conteúdo televisivo, não se manifestou. Além disso, Hadley mantém autoridade direta sobre as estações da ABC em sua jurisdição, incluindo a KABC-TV, de onde o programa Jimmy Kimmel Live! é gerado.
A suspensão temporária do programa testou a capacidade de Carr de usar o aparato regulatório da FCC contra críticos políticos. Depois das ameaças públicas de Carr, grandes grupos de afiliadas, como Nexstar e Sinclair, ambas com fusões bilionárias pendentes perante a comissão, recusaram-se a transmitir o programa, forçando a retirada temporária pela Disney.
Embora o caso seja dos Estados Unidos, o episódio chama atenção no mercado de mídia de outros países, incluindo o Brasil, por envolver o uso de poder regulatório sobre uma grande empresa de entretenimento e uma rede de TV aberta. A Disney também atua no mercado brasileiro de mídia e streaming, o que amplia o interesse sobre disputas regulatórias que possam afetar suas operações globais.
O que a situação significa para as liberdades de expressão?
Will Creeley, diretor jurídico da Fundação para os Direitos Individuais e Expressão, afirmou que diretores regionais como Hadley não têm o direito de apoiar ameaças regulatórias da FCC contra emissoras que apresentem opiniões divergentes. Creeley destacou que, assim como Carr, eles juraram defender a Constituição dos EUA, incluindo a Primeira Emenda, que proíbe o governo de coagir emissoras a censurar dissidências.


