Em 2025, durante uma conferência internacional em Samarcanda, no Uzbequistão, o Brasil enfrentou pressões políticas que impediram a elevação do nível de proteção do pau-brasil (Paubrasilia echinata) — árvore símbolo nacional que dá nome ao país — para o mais alto grau na Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites). De acordo com reportagem recente do Mongabay Brasil, o presidente francês, Emmanuel Macron, teria influenciado diretamente as negociações, apesar de o governo brasileiro negar qualquer intervenção direta.
Como a pressão francesa influenciou a decisão?
A indústria da música, que utiliza a madeira do pau-brasil para fabricar arcos de instrumentos de corda, celebrou o que chamou de “envolvimento decisivo” de Macron. A imprensa francesa relatou que o mandatário europeu teria ligado para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir o assunto, embora o governo federal negue tal contato. Um integrante da delegação brasileira, que preferiu não se identificar, afirmou que a proposta brasileira tinha “apoio massivo” e que havia um clima de confiança na aprovação da proteção máxima.
Qual é a situação atual do pau-brasil?
Nativo da Mata Atlântica, o pau-brasil teve sua população reduzida em 84% nas últimas três gerações, restando cerca de 10 mil árvores adultas, segundo o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), órgão de referência vinculado ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em 2024, a espécie foi classificada como “criticamente em perigo”. A proposta original do Brasil era incluir o pau-brasil no Anexo I da Cites, o que proibiria totalmente seu comércio internacional. No entanto, a decisão final foi manter a espécie no Apêndice II, mas com restrições adicionais, incluindo uma cota zero para árvores removidas da natureza.
Quais foram as reações à decisão?
A Iniciativa Internacional para a Conservação do Pau-Brasil (IPCI) elogiou a intervenção de Macron, enquanto a ONG francesa Robin Des Bois criticou a decisão como um “escândalo”. Charlotte Nithart, presidente da entidade, afirmou que “quando um país deseja proteger suas espécies endêmicas, o resto do mundo precisa seguir o exemplo”. A decisão de manter o pau-brasil no Apêndice II, mas com cota zero, foi aprovada por unanimidade na cúpula da Cites em 4 de dezembro de 2025.
Quais são os próximos passos para a proteção do pau-brasil?
Apesar das restrições, o comércio ilegal continua sendo um desafio. Desde 5 de março de 2026, nenhum dos 185 países-membros da Cites pode exportar produtos de pau-brasil para fins comerciais, mas músicos continuam autorizados a transportar arcos feitos da madeira para uso pessoal. O Brasil e outras nações concordaram em incentivar a pesquisa de materiais alternativos e criar um sistema de rastreamento de arcos de madeira. Maud Lelièvre, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), avaliou que “fortalecer a rastreabilidade dessa madeira sob o Apêndice II continua sendo insuficiente para combater o tráfico ilegal”.
Com informações do Mongabay Brasil