Mastercard, BlackRock e Philip Morris estão sob escrutínio após utilizarem créditos de carbono de um projeto de preservação florestal no Pará, que está sob investigação por irregularidades fundiárias. De acordo com informações do Capital Reset, as empresas aposentaram os créditos, retirando-os de circulação, mesmo após o projeto ser questionado.
Por que os créditos de carbono estão sob investigação?
O projeto Pacajaí, localizado em Portel, no arquipélago do Marajó, é acusado de emitir créditos em terras públicas, configurando grilagem. A Verra, certificadora de créditos de carbono, suspendeu a emissão de novos créditos em setembro de 2023, mas manteve a validade dos já emitidos.
“Os créditos foram adquiridos antes da investigação, mas ainda assim você pode levantar dúvidas sobre os processos de diligência dos compradores”, disse Ana Carolina Szklo, especialista em créditos de carbono.
Qual é o impacto para o mercado de carbono?
O caso Pacajaí é mais um golpe na credibilidade dos projetos de emissões evitadas. A Verra enfrenta críticas por não cruzar informações de áreas de projetos com dados de órgãos como o Ibama.
“A Verra é uma ONG americana. É bem mais difícil vigiar e punir quem fornece informações erradas”, afirmou um desenvolvedor não identificado.
A situação destaca a necessidade de maior rigor na verificação e classificação dos créditos.
Como as empresas estão respondendo?
A Philip Morris declarou que os créditos foram comprados em 2022 e cancelados recentemente, sem relação com a suspensão do projeto. A BlackRock afirmou que os créditos foram herdados de um fundo de pensão e cancelados por uma terceira parte. A Mastercard informou que a compra e cancelamento dos créditos foram realizados pela 3Degrees.
Quais são as soluções propostas para o mercado?
A especialista Szklo sugere que compradores mantenham uma reserva de créditos diversificados e que agências de classificação de créditos sejam mais ativas. BeZero e Sylvera já haviam alertado sobre a baixa probabilidade do projeto Pacajaí cumprir suas promessas.
“Há uma lacuna para esse tipo de verificação no mercado e cabe aos atores decidir quem está melhor posicionado para preenchê-la”, conclui Szklo.


