A pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio esclareceu em entrevista ao Roda Viva da TV Cultura que a perda da patente internacional da polilaminina foi uma decisão técnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A decisão ocorreu em um contexto de cortes de verbas para pesquisas em universidades brasileiras. De acordo com informações do IstoÉ, a patente foi perdida nos anos de 2015 e 2016.
Por que a patente foi perdida?
Em entrevista ao Brasil 247, Tatiana Sampaio explicou que a UFRJ avaliou em 2014 que não valia a pena continuar pagando pelas patentes nos EUA e na Europa.
“Foi uma avaliação técnica, que concluiu que essas patentes não seriam concedidas no futuro, que era um custo alto e não valia a pena pagar. Não foi uma decisão minha, eu fui comunicada e suspenderam. Mas foi uma decisão técnica”
, afirmou a pesquisadora.
Qual é a posição da farmacêutica Cristália?
A farmacêutica Cristália, responsável pela produção da polilaminina, emitiu uma nota de esclarecimento afirmando que a propriedade intelectual da substância segue válida. O laboratório solicitou em 2022 a patente nacional e, em 2023, a internacional para o processo de extração, purificação e polimerização da polilaminina. Essas patentes têm validade de 20 anos, com vencimento em 2042 e 2043, respectivamente.
“Trata-se de um processo complexo, que demanda alta tecnologia e que foi desenvolvido com exclusividade pelo centro de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação do laboratório Cristália”
, afirmou a empresa.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é uma versão polimerizada da laminina, uma proteína produzida naturalmente no corpo. No laboratório, a equipe da UFRJ recriou a substância para formar um “andaime biológico” que estimula a reconexão de axônios, facilitando a comunicação entre o cérebro e o corpo em casos de lesão medular. Embora ainda experimental, a substância já foi utilizada em alguns pacientes por meio de decisões judiciais ou uso compassivo.
Quais são os resultados dos testes com a polilaminina?
Em um estudo acadêmico preliminar realizado pela equipe de Tatiana Sampaio, 75% dos pacientes com lesão medular completa apresentaram algum grau de recuperação de função motora. No entanto, os resultados são considerados preliminares e não definitivos, não sendo possível afirmar com certeza que as melhoras decorrem exclusivamente da polilaminina.


