O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a decidir sobre a obrigatoriedade da escritura pública em contratos de compra e venda de imóveis com alienação fiduciária, fora dos sistemas de financiamento imobiliário tradicionais. Este julgamento, que ocorre na 2ª Turma do STF, pode afetar significativamente os consumidores, especialmente no momento crítico da aquisição de um imóvel. De acordo com informações da Revista Fórum, o debate gira em torno da aplicação do artigo 38 da Lei nº 9.514/1997 e dos Provimentos nº 172 e nº 174 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Qual é o impacto da decisão para os consumidores?
O tema central da discussão é a segurança jurídica versus a desburocratização e redução de custos. Atualmente, dois ministros já votaram contra a obrigatoriedade da escritura, enquanto outros três ainda devem se pronunciar. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Luiz Fux. A escritura pública é vista como um mecanismo de proteção contra fraudes e litígios, garantindo que os consumidores compreendam plenamente os termos dos contratos que estão assinando.
Quais são os argumentos a favor da escritura pública?
Os defensores da obrigatoriedade argumentam que a escritura pública, ao ser supervisionada por um tabelião, reduz a assimetria de informação entre as partes e previne litígios judiciais complexos.
“Por meio da escritura, o tabelião exerce um controle preventivo de legalidade que protege o cidadão contra fraudes e vícios do negócio jurídico”, destaca a Revista Fórum.
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Além disso, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) manifestou-se favorável à exigência da escritura pública, reforçando a necessidade de proteger os consumidores contra imposições unilaterais de construtoras.
Quais são as críticas à dispensa da escritura pública?
Críticos da dispensa da escritura pública apontam que a ausência desse documento pode levar ao aumento de custos a longo prazo e ao crescimento de disputas judiciais. Estudos indicam que, em alguns estados, o custo da escritura representa uma fração mínima do valor do imóvel, e parte desses custos retorna ao Estado para financiar serviços públicos essenciais, como as Defensorias Públicas.
O que se espera da decisão do STF?
Espera-se que o STF decida com base na proteção dos direitos dos consumidores e na manutenção de um mercado imobiliário transparente e sustentável. A decisão terá implicações significativas para a economia popular e a estabilidade do mercado de crédito imobiliário.
“Defender a interpretação restritiva do artigo 38 da Lei nº 9.514/1997, que resulta na obrigatoriedade da escritura pública nesse tipo de operação, é proteger a ordem pública”, argumenta o advogado Daniel Santos Garroux.
Fonte original: Revista Fórum.


