A Seven & i Holdings, controladora japonesa da rede de lojas de conveniência, anunciou nesta quinta-feira o adiamento da oferta pública inicial (IPO) da sua subsidiária norte-americana, a 7-Eleven Inc. (SEI). O plano, que previa a estreia no mercado de ações ainda este ano ou até o segundo semestre de 2026, foi postergado para, no mínimo, o ano fiscal de 2027. A decisão ocorre em meio ao fraco desempenho financeiro recente da unidade nos Estados Unidos.
De acordo com informações do Valor Empresas, a medida visa aguardar um cenário econômico mais favorável para elevar o valor de mercado da subsidiária.
Por que o IPO da 7-Eleven foi postergado?
A unidade norte-americana, avaliada em aproximadamente cinco trilhões de ienes, enfrenta uma sequência de dificuldades operacionais. Durante 23 meses consecutivos, encerrados em fevereiro, as vendas mensais totais em dólares sofreram quedas expressivas na comparação anual. A inflação constante nos Estados Unidos é apontada como o principal fator de pressão sobre os consumidores da rede varejista.
Embora a comercialização de alimentos e de outros produtos essenciais tenha demonstrado leves sinais de recuperação, o segmento de venda de combustíveis continuou em declínio. Essa assimetria nos resultados convenceu a administração da Seven & i Holdings a recuar temporariamente. O objetivo agora é reestruturar as operações para garantir que a 7-Eleven Inc. alcance um valor de mercado otimizado antes de ser listada formalmente na bolsa de valores.
Como fica a disputa com a Alimentation Couche-Tard?
O planejamento original de antecipar a abertura de capital da subsidiária surgiu como um mecanismo de defesa corporativa. No verão de 2024, a gigante japonesa recebeu uma oferta agressiva de aquisição por parte da Alimentation Couche-Tard, conglomerado canadense do mesmo setor. Para rechaçar a investida e provar a capacidade de crescimento independente, o IPO da operação norte-americana foi colocado no centro da estratégia corporativa.
Mesmo após a companhia canadense desistir oficialmente da proposta de compra, a liderança japonesa manteve a promessa de realizar a oferta pública de ações. Junro Ito, presidente executivo do grupo, defendeu a medida no verão de 2025:
“A abertura de capital é necessária para avaliar adequadamente a SEI e para usar os recursos obtidos com a venda de algumas ações para retorno aos acionistas e novos investimentos.”
Quais são os impactos financeiros do adiamento?
A postergação do lançamento de ações pode afetar diretamente o plano de expansão de médio prazo do conglomerado varejista. A empresa planejava direcionar até 3,2 trilhões de ienes, quantia equivalente a US$ 20,1 bilhões, para alavancar seu crescimento estrutural até fevereiro de 2031, dependendo substancialmente do capital que seria captado com a listagem pública.
Apesar da mudança de cronograma, a diretoria buscou tranquilizar os investidores globais. Yoshimichi Maruyama, diretor financeiro do grupo, reforçou o compromisso com a remuneração dos parceiros comerciais durante entrevista coletiva.
“Embora a data de abertura de capital seja adiada, não haverá alterações em nossa política de retorno aos acionistas. De acordo com nossa política progressiva de dividendos, aumentaremos o dividendo anual em dez ienes neste ano fiscal.”
No balanço consolidado mais recente, a corporação reportou um salto expressivo em sua lucratividade. O lucro líquido cresceu 69% em relação ao ano anterior, totalizando 292,7 bilhões de ienes no período encerrado em 28 de fevereiro. Esse resultado positivo foi fortemente impulsionado pela venda de ativos não essenciais e pela reestruturação interna dos negócios.
Quais os próximos passos da reestruturação global?
A transformação do modelo de negócios tem sido profunda nos últimos meses. Em setembro de 2025, a companhia concretizou a venda da York Holdings, uma estrutura intermediária responsável por gerenciar operações periféricas como redes de supermercados tradicionais e restaurantes. O ativo comercial foi repassado a um fundo de investimento americano, consolidando o foco exclusivo do grupo nas lojas de conveniência.
No cenário global e doméstico, os resultados financeiros da companhia apresentam contrastes significativos, influenciados por diferentes dinâmicas de consumo. Entre os fatores operacionais registrados nos balanços recentes da empresa, destacam-se:
- Aumento de 1% na receita operacional das lojas de conveniência dentro do mercado japonês.
- Queda no lucro interno pelo segundo ano consecutivo devido à alta nos preços de matérias-primas e despesas operacionais.
- Recuo de 7% na receita do segmento no exterior, atingindo a marca de 8,55 trilhões de ienes.
- Crescimento do lucro nas operações internacionais impulsionado por cortes expressivos em despesas com pessoal.
Para os próximos ciclos comerciais, a diretriz administrativa é clara. Stephen Hayes Dacus, presidente da companhia que completará um ano de gestão em maio, afirmou que a organização vai acelerar sua transformação durante o ano fiscal de 2026. A meta principal será o desenvolvimento ininterrupto de produtos altamente competitivos, visando o fortalecimento imediato de sua cadeia de valor no setor varejista.